FEIJÃO BRASILEIRO


Que o brasileiro não dispensa o feijão, tanto a população urbana quanto a rural sabem. Mas o país ainda não encontrou uma forma de calibrar a produção nem de equilibrar oferta e demanda com mecanismos de estímulo ou novas tecnologias, mostrou o 11.º Congresso Nacional de Pesquisa de Feijão (Conefa), que reuniu especialistas de todo o país na última semana em Londrina.
Dois anos atrás, um salto nos preços do feijão — típico de épocas de quebra climática — estimulou a produção. Mas bastou colheita 25% maior no ano seguinte (somando 3,5 milhões de toneladas, perto de 100 mil a mais que o consumo) para que os preços caíssem 30% no caso do feijão preto (hoje em R$ 96/saca no Paraná) e 50% no caso do carioca (R$ 66/sc). Agora, o setor espera que o governo garanta preços mínimos (R$ 105 e R$ 95/sc, respectivamente).
Entretanto, mesmo que os leilões públicos saiam nas próximas semanas, está prevista queda de 13,5% na área da primeira safra de 2014/15, que começa a ser plantada neste mês, conforme a Safras & Mercado. A consultoria aponta que o país vai dedicar perto de 1 milhão de hectares à produção do alimento no principal dos três ciclos da temporada.

Além dos preços

Num momento em que o setor mostra-se frustrado com as oscilações dessa cadeia, o 11º Congresso Nacional de Pesquisa de Feijão (Conefa) revelou outros lados do setor. A evolução da pesquisa, o valor nutricional do alimento e a importância econômica do feijão fizeram parte das apresentações.
O setor tem discutido estratégias como plantio de feijões especiais na terceira safra, aponta o Instituto Brasileiro do Feijão (Ibrafe). Essas variedades vêm ganhando mercado. Outa saída é focar na exportação, embora o país costume importar feijão até da China sempre que a oferta interna fica apertada. Uma saída estratégica é a escolha de sementes que prolongam o prazo de armazenagem, para que o produtor não seja forçado a vender a produção na safra. O grão perde valor rapidamente no armazém logo que ganha mais consistência devido à preferência do consumidor por grãos moles.
As pesquisas no setor são numerosas e prometem avanços, conforme a pesquisadora do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) Vania Moda Cirino, uma das coordenadoras do Conafe. “Tivemos 389 trabalhos científicos expostos, em forma de pôsteres, por estudantes de todo o país”, apontou. Esse número demonstra envolvimento de instituições de ensino nas discussões sobre feijão e promete resultados no longo prazo.

Fonte Gazeta do Povo Online