Ovinocultura


A crescente demanda pelo consumo da carne de cordeiro, que vem conquistando o gosto do brasileiro, especialmente do consumidor paulista, vem criando uma alternativa de produção e gerando uma necessidade de ampliar a criação de ovinos e caprinos no País. De olho nesse sucesso, a 28ª Expovelha, realizada em Lençóis Paulista, reuniu diversos produtores do Brasil e do exterior para apresentar o que há de melhor em genética. O secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Arnaldo Jardim, participou da abertura oficial do evento, no dia 16 de outubro.
De acordo com a Associação Paulista de Criadores de Ovinos (Aspaco), a demanda do consumo de carne de cordeiro é maior que o número de cabeças produzidas. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o rebanho de ovinos paulista era de 450 mil cabeças, e de 16 milhões no Brasil, em 2014.
“O Brasil importa muita carne de cordeiro para atender a demanda do mercado. Por isso, a ovinocultura é uma excelente alternativa de produção”, disse o presidente da Associação, Bruno Garcia Moreira.
De acordo com o secretário de Agricultura e Abastecimento, com a mecanização da cana-de-açúcar, que é a principal cultura produtiva do estado, criou-se uma oportunidade para o homem do campo criar uma alternativa de produção, e a ovinocultura mostrou uma oportunidade para gerar renda e agregar valor. “O Brasil importa muito. É uma determinação do governador Geraldo Alckmin que a Secretaria de Agricultura crie alternativas para criar um novo cenário de exportador”, afirmou.
Arnaldo Jardim explicou que a genética das produções de ovinos desenvolvidas em São Paulo é privilegiada, o que pode possibilitar um crescimento do setor, e despontar como potencial de exportação. “Queremos intensificar o trabalho de extensão rural, disponibilizando conhecimento, por meio dos nossos institutos de pesquisa, assim como temos a nossa Câmara Setorial, que reúne os principais interessados da cadeia para debater políticas públicas para o fomento do setor”, complementou.
A cadeia produtiva do setor nacional também precisa ser fortalecida, como explicou o presidente da Assistência aos Rebanhos de Criadores de Ovinos (Arco), e presidente da Câmara Setorial de Caprinos e Ovinos, junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Paulo Afonso Schwab.
“A demanda do mercado cresceu, mas o rebanho não. O setor precisa ser organizado. Tivemos um período muito forte em que a comercialização de lã e o restante do Brasil usavam a atividade ovina e caprina como subsistência. Agora ela se mostrou um excelente negócio. O Brasil tem potencial para se tornar um grande exportador de carne de cordeiro. Mas para isso, precisamos criar um Programa Nacional de Desenvolvimento da Ovinocultura para unir essa cadeia e criar alternativas para aumentar o rebanho e depender menos das importações”, disse.
Para o criador Helcio Souza, o consumidor brasileiro descobriu a carne de cordeiro. “Com a crescente demanda criou-se uma excelente oportunidade de produção”, disse.
Já o criador Luiz Horn destacou que a criação de ovinos é vantajosa, especialmente em áreas mais reduzidas. “É uma atividade que acaba sendo rentável para o produtor, em alguns casos, até mais que a bovinocultura por utilizar uma área menor para criar o rebanho”, destacou.

28º Expovelha

A Expovelha entrou em sua 28ª edição celebrando o sucesso de estar entre os eventos oficiais que consolidam a ovinocultura como a nova vertente do agronegócio brasileiro. O evento reuniu diversos criadores das raças Santa Inês, Dorper, White Dorper, Ile de France, Suffolk e Texel.
A edição trouxe também a 9ª Exposição Nacional das Raças Dorper & White Dorper, com mais de 700 animais do Brasil e da América Latina.
O secretário de Agricultura, Arnaldo Jardim, destacou o espírito empreendedor de Lençóis Paulista, que mesmo em meio à crise econômica que o País passa, as pessoas envolvidas com o setor trabalharam para fazer do evento referência nacional.
Para o presidente da Aspaco, a realização da Feira coroa o trabalho de uma equipe que se empenhou para transformar esse sonho em realidade. O nosso plantel é privilegiado com uma genética maravilhosa e a crescente demanda mostra o fortalecimento do setor.
Já para a prefeita de Lençóis Paulista, Izabel Cristina Campanari Lorenzetti, o trabalho e a perseverança das pessoas que trabalham para o setor contribuíram para alavancar a cadeia, agregar valor para a atividade rural do município. “Os criadores acreditaram na possibilidade e confiaram à cidade de Lençóis Paulista a honra de apresentar para o Brasil o potencial da ovinocultura, mostrando a força da nossa agropecuária”, disse.
Estiveram presentes ao evento os prefeitos de Bauru, Rodrigo Antônio de Agostinho Mendonça e de Macatuba, Tarcísio Mateus Abel; os deputados estaduais, Itamar Borges e Fernando Cury, o presidente da Câmara dos Vereadores de Lençóis Paulista, Anderson Prado de Lima, o presidente da Associação Rural de Lençóis Paulista, José Ulysses dos Santos, o presidente da ABCDorper, Paulo Augusto Franzine e o presidente do Clube de Amigos Orquidófilos de Lençóis Paulista, Alex Paccola Santa Barbara.

13ª Exposição Nacional de Orquideas

Simultaneamente à 28º Expovelha, a feira abrigou a 13ª Exposição Nacional de Orquídeas, reunindo mais de 1500 vasos e mais de 200 expositores do Brasil todo.
Para o vice-presidente da Coordenadoria das Associações Orquidófilas do Brasil (Caob), Manoel Riys Gomes, a beleza, o formato e as cores fazem a beleza das flores, e estimulam os produtores a compartilharem suas orquídeas. “É uma atividade agrícola peculiar, pois acaba sendo um trabalho prazeroso, pois a beleza emanada pelas flores alegra não só quem produz, mas a todos que a admira”, disse.
Arnaldo Jardim destacou o trabalho desenvolvido pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento, por meio do Instituto Biológico, na criação de novas tecnologias e pesquisas de controle de pragas por meio de ácaros predadores com o objetivo de preservar o meio ambiente e fomentar a agricultura sustentável.
O levantamento do Instituto mostra que a resistência de ácaro-rajado e acaricidas – substâncias químicas utilizadas para combater ácaros – cresceu substancialmente. Hoje os agrotóxicos eliminam cerca de 20% das pragas. Diante desse cenário, os pesquisadores do Instituto vêm desenvolvendo estudos no Brasil sobre o potencial de evolução e monitoramento de realizando coletas de populações de pragas.
O uso de ácaros predadores para o controle de ácaros-praga, em relação ao número de aplicações de agrotóxicos em culturas como feijão, algodão, soja, tomate, mamão, uva, morango e ornamentais no Brasil é considerado um sucesso, visto que elimina 98% das pragas.
Jardim afirmou que o desafio da Pasta, que segue as diretrizes do governador Geraldo Alckmin, é disseminar o conhecimento aos produtores rurais. “Não queremos aqui fazer uma campanha para denegrir a importância da utilização dos componentes químicos para o controle de pragas, mas sim fortalecer os instrumentos biológicos, assim como já vem sendo feito com os insumos, para que não haja efeitos colaterais ao meio ambiente, e apresentando novas alternativas aos produtores”, afirmou.

Fonte original: Assessoria de imprensa