Perda no replantio


Desde agosto, o El Niño tem trazido chuvas excessivas para o Sul do País e irregulares às demais regiões. Para o Centro-Oeste, o fenômeno reservou uma estiagem. Com isso, os principais estados produtores de soja estão tendo gastos que não estavam programados e essa conta já ultrapassa R$ 64,8 milhões.Isso porque o volume mensurado até então refere-se apenas aos prejuízos dos sojicultores de Mato Grosso, líderes na produção da commodity, e levam em consideração somente os custos com sementes e combustíveis utilizados nas máquinas. A avaliação foi feita pelos especialistas do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).
Porém, o agrometeorologista da Somar Meteorologia, Marco Antônio dos Santos, explica que toda a região do Matopiba - Maranhão, Tocantins, Piauí e oeste da Bahia - sentiu os impactos da escassez hídrica do Centro-Oeste. No Paraná, segundo no ranking produtivo da cultura, as fortes chuvas também afetaram as lavouras já semeadas. Nas principais regiões produtivas houve prejuízo com replantio , enfatiza.
O gasto extra de 7,8% sobre o custo total implica que o produtor que ressemeou deverá colher 4,09 sacas por hectare a mais ou vender a um preço R$ 4,37 por saca superior para conseguir cobrir estes gastos que não estavam na conta , explica o Imea.
O instituto mato-grossense informa que a área cultivada no estado se manteve em 9,2 milhões de hectares, mas em função do clima a produtividade caiu para 50,8 sacas por hectare e a produção esperada ficou em 28,03 milhões de toneladas. O volume é inferior ao estimado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), cuja projeção de colheita é de 29,05 milhões de toneladas, o que seria 3,7% superior ao resultado de 2014/ 2015.
Mesmo o estado semeando a maior área de soja da sua história, percebe-se que o movimento de safra recorde ocorrido desde a safra 2009/ 2010 não está sendo aguardado neste momento , avaliam os analistas do instituto.
Em Goiás, onde as chuvas voltaram basicamente em meados de novembro, também houve revisão para baixo das estimativas de colheita. O consultor técnico daFederação de Agricultura de Goiás (Faeg), Cristiano Palavro, disse à agência de notícias Reuters que a safra da oleaginosa no estado deve ficar em 9,8 milhões de toneladas, ante uma expectativa inicial de 10,4 milhões de toneladas, queda de 5,8%.
Tal como no Mato Grosso, o volume esperado diverge das estatísticas da Conab, que trabalha com os 10,4 milhões de toneladas nos grãos goianos. O plantio ainda não foi concluído nessa região. Algumas lavouras estão no segundo ou terceiro plantio , afirmou o especialista da federação.

Referência positiva

Dos 2,425 milhões de hectares plantados no Mato Grosso do Sul, apenas cinco mil precisaram de replantio, afirma ao DCI o analista de agricultura da Federação de Agricultura e Pecuária de MS (Famasul), Leonardo Carloto. Santos, da Somar Meteorologia, lembra que este foi um dos estados que voltou a receber chuvas em meados de novembro.
Dados da Associação dos Produtores de Soja de MS (Aprosoja-MS) indicam que a temporada de 2015/ 2016 conta com 100 mil hectares a mais no plantio em relação à anterior. Com isso, a previsão é que sejam colhidas mais de 7,3 milhões de toneladas do grão, alta de 6% contra 2014 /2015.

Fonte original: DCI