Peixes


O secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Arnaldo Jardim, visitou no dia 5 de fevereiro de 2016 o distrito de Tibiriçá, em Bauru, para conhecer a Piscicultura Poço Azul e a experiência do maior grupo produtor de pescado do Estado de São Paulo. Na visita, ao lado de Jurandir Ramos e dos irmãos Pili e Marcelo Berriel Cardoso, sócios do empreendimento, o titular da Pasta lembrou que o Centro de Pesquisa do Pescado Continental, do Instituto de Pesca (IP), uma das seis instituições de pesquisa da Secretaria, desenvolve estudos sobre pragas, manejo e aumento de produtividade que ajudarão a alicerçar o programa que está sendo elaborado para fortalecer a piscicultura no Estado.
“Após a regulamentação da legislação sobre os tanques rede, há um ano e meio, foi determinada a formação de um grupo para discutir a delimitação dos parques aquícolas, sua demanda e potencial. Esse levantamento foi concluído e entregue ao governador Geraldo Alckmin, em um evento que reuniu representantes de todas as cadeias produtivas no fim do ano passado, no Palácio dos Bandeirantes. A discussão sobre o licenciamento ambiental, que já está ocorrendo no âmbito da Câmara Setorial do Pescado, e conta com o respaldo de estudos realizados por técnicos ligados a Universidades e institutos de pesquisa, poderá fornecer subsídios para ampliar o debate”, afirmou o secretário.
De acordo com Pili Cardoso, empresário e membro da Câmara Setorial, as palavras do secretário trazem um novo alento para um setor que, embora atue em um Estado que é o maior produtor e consumidor de pescado do País, está tendo dificuldades para se manter competitivo. “Tentamos fazer tudo direitinho, tudo regularizado. Temos todas as licenças, os funcionários são registrados, nosso maior problema são os entraves da legislação ambiental”, desabafa.
Jurandir Ramos complementa: “estamos perdendo espaço, o Brasil importa pescado para suprir a demanda interna e poderia estar exportando e gerando divisas. Para se ter uma ideia do potencial brasileiro, basta comparar com o Vietnã que produz em pescado o dobro do que o País produz em boi”, e afirma que essa é uma oportunidade que não pode ser ignorada.
O produtor Marcelo Cardoso se dedica à piscicultura desde o início da década de 1990, “quando nem ração de peixe existia”, comenta. Como aficionado pelo tema, reclama da dificuldade em regulamentar a produção do peixe clarias – um bagre africano que chegou ao Brasil no fim do século passado. “É uma espécie que oferece uma ótima relação custo benefício, o rendimento é superior ao da tilápia, é mais barato para o consumidor e poderia ser introduzido na merenda escolar. Em virtude do fácil manejo, poderia ser uma opção aos pequenos produtores que não dispõem de infraestrutura e conhecimento técnico que a tilápia, por exemplo, exige”, esclareceu ele.
O secretário ficou bastante impressionado com o trabalho desenvolvido pela Piscicultura Poço Azul, uma das seis que o grupo dirige, e principalmente por enxergar um nicho onde o pequeno produtor pode se inserir. “A empresa pode fornecer os alevinos e a ração para os produtores criarem em suas propriedades, semelhante ao que ocorre na avicultura e na criação de suínos, é um processo em que todos podem ganhar”, concluiu o secretário.

O Processo

O peso dos alevinos ao chegar ao criadouro é de 0,5 a 1 grama. Eles são colocados em um tanque com temperatura controlada e alimentados com cinco tipos de ração com granulometria (tamanho do grão) diferentes, já que a boca do peixe ainda é muito pequena. Depois de 10 dias, já pesando entre 10 e 15 gramas, é transferido para os tanques-rede, que têm capacidade para 40 mil alevinos.
Após mais 10 dias, tendo atingido de 20 a 22 gramas, o peixe vai para o rio, no caso da Piscicultura Poço Azul, o Tietê, onde o processo é concluído e o peixe adulto chega a atingir um quilograma. Mensalmente são produzidas de 800 a 1000 toneladas de peixe fresco, somando 10 mil toneladas por ano.

Fonte original: assessoria imprensa SAA