Café I


Em 2016, o principal país produtor e exportador mundial de café deve atingir uma colheita de 49,13 a 51,94 milhões de sacas beneficiadas, podendo representar a segunda maior safra da história, como apontam dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Para obter bons resultados, é necessário priorizar fatores que vão desde o manejo nutricional e fitossanitário em fases como florescimento, frutificação e granação até cuidados pós-colheita que interferem na qualidade da bebida.
Conforme o engenheiro agrônomo Marcos Revoredo, nutrientes como o Potássio e o elemento Cobre auxiliam no desenvolvimento da cultura, com destaque nas fases de enchimento e maturação dos frutos, além de minimizar estresses biológicos. “Com isso, proporciona-se um melhor vigor no desenvolvimento das plantas e translocação dos fotoassimilados de maneira mais equilibrada, influenciando na redução de grãos chochos e no incremento da uniformidade de grãos cereja. Além disso, auxilia na redução da incidência de doenças bacterianas”, explica.
Segundo Revoredo, condições adversas como variações de temperatura, deficiências nutricionais e elevada umidade relativa do ar prejudicam a formação final dos grãos. “A capacidade produtiva pode ser afetada por questões como deficiência na absorção de nutrientes ou doenças na parte aérea. Por isso, a aplicação de aminoácidos associada com nutrientes estimula a capacidade da planta de se aproximar do seu potencial produtivo e alivia o estresse fisiológico, promovendo um maior enchimento de grãos e, consequentemente, maior acúmulo de sólidos solúveis”, afirma.

Qualidade e preço

Os cuidados no período de pós-colheita também são fundamentais para conservar a qualidade da bebida, como ressalta o gerente comercial de café da Alltech Crop Science, Marcus Dell’ Agnolo. “Após a colheita dos grãos, a grande preocupação deve estar na manutenção dos açúcares naturais que conferem o sabor adocicado e acarretará os melhores blends de bebidas. Para isso, o produtor deve realizar algumas práticas no manejo da colheita”.
Durante e após a colheita são provocadas uma série de lesões no fruto, o que permite a entrada de microrganismos, como algumas bactérias, que consomem os açúcares e promovem acidificação interna, ocasionando um odor de “azedo” na massa de grãos. Neste momento começa um processo de diminuição gradativa na qualidade de bebida e consequente perda de valor pago pela saca de café.
Segundo Agnolo, é importante não haver contato dos grãos com o solo, nem deixar café colhido de um dia para o outro no chão, ensacado na roça ou dentro de carreta tratorizada. “Assim que o café chega ao terreirão, ele precisa ser lavado e imediatamente colocado no secador”, orienta. Esses e outros cuidados podem gerar uma variação expressiva no valor pago por saca. “Não adianta o produtor ser eficiente nos outros processos de cultivo e perder 20, 30% de valor de comercialização por não cuidar para se ter uma boa bebida,” argumenta.