Trigo


A redução de produção e produtividade do trigo nos campos gaúchos nos últimos dois anos (veja quadro) tem levado os agricultores a buscarem alternativas para a manutenção da cultura. Para se ter uma ideia, em 2015 a safra foi de 1,39 milhão de toneladas. O último ciclo com resultado abaixo deste volume foi em 2006, com 728 mil toneladas. Uma das iniciativas é da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Rio Grande do Sul (FecoAgro/RS), que, em parceria com a Embrapa Trigo e as áreas técnicas de cinco cooperativas (veja quadro), iniciará um projeto-piloto de implantação de áreas demonstrativas para pesquisar as variedades que melhor se adaptam a cada região do Estado.
– O objetivo é reduzir custo e aumentar a produtividade, pois o risco do produtor de trigo é muito alto – adianta Paulo Pires, presidente da Fecoagro.
Segundo Pires, é preciso baixar o valor de produção do trigo tipo soft, destinado à elaboração de massas e biscoitos, pois hoje está próximo ao custo de produção do trigo Tipo 1 (para pão). O valor fica entre R$ 1,6 mil e R$ 1,7 mil por hectare. Uma das premissas é garantir retorno mínimo do investimento a quem se mantém na atividade.
– Monitoraremos as lavouras para ajustar o custo de produção. Quem utiliza tecnologia, usa conhecimento, não necessariamente aumenta a quantidade de insumos, pode até reduzir o uso – detalha João Leonardo Pires, pesquisador da Embrapa Trigo.
João exemplifica com o uso de nitrogênio, que impede o crescimento acima do esperado, não deve ser aplicado quando a planta já apresenta um tamanho ideal. Assim como a distribuição de sementes, que deve obedecer a critérios de distanciamento mínimo, o que nem sempre ocorre.
Os técnicos da Embrapa e das cooperativas analisarão os diferentes tipos de clima, solo e área.
– A ideia é unir experiências de diferentes locais – reforça João.O sucesso do trigo passa por um conjunto de práticas, diz o pesquisador, como a época correta de semeadura para cada região e cultivar, pela análise e conservação do solo, proteção das plantas e manejo integrado.