Feijão carioca


Diante da crise no mercado brasileiro de feijão, a Câmara de Comércio Exterior (Camex) zerou a tarifa de importação do produto de países fora do Mercosul. A isenção de taxas vale por 90 dias e pode aquecer o comércio entre Brasil e China. Entretanto, a medida pode não surtir efeito para o feijão carioca, o mais consumido no País, e o que mais subiu de preço: 54% de janeiro a junho segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
“Até fevereiro do ano que vem, quando estivermos no início da colheita, devemos continuar com essa disparada nos preços e crise no abastecimento do feijão carioca”, diz Marcelo Lüders, presidente do Instituto Brasileiro do Feijão (Ibrafe). Contudo, o executivo enxerga as importações como uma medida positiva, e que atende, em parte, as demandas da sociedade. “Atualmente estamos dependendo do feijão preto da Argentina, por isso um novo mercado pode aliviar os preços deste produto”.
Para Lüders, mesmo com mais vantagens para comprar feijão preto de diversos países, chineses e argentinos devem continuar como principais fornecedores. E, caso as importações aconteçam em bom volume, o preço no mercado brasileiro pode recuar até agosto deste ano. Mesmo com o menor ritmo em relação ao carioca, a cotação do feijão preto já acumula alta de 21%.
Além das importações, o presidente do Ibrafe aponta outra medida que pode amenizar os efeitos da crise do feijão no Brasil a longo prazo: a diversificação. “Precisamos difundir as demais variedades, como o branco, o vermelho, o rajado... É preciso apresentar aos consumidores outras alternativas com as mesmas qualidades, para que não haja essa dependência do preto e carioca”. O problema, segundo Lüders, é que essas variações foram gourmetizadas pelo mercado, cujo preço está 40% acima dos tipos mais comuns.