NOVIDADE NA AGRICULTURA


Quem passa em frente da casa de Domingos Mendes da Silva, 55 anos, morador de Santa Rita, reassentamento localizado a 54 Km de Porto Velho (RO) não imagina o que tem em seu quintal. Em meio a plantações de frutas, verduras e legumes, ele cuida de uma unidade demonstrativa de criação de um dos maiores peixes de água doce do mundo: o pirarucu.
A estrutura do projeto, que tem apenas dois anos, impressiona: são oito caixas d´água de 1000 litros e três tanques para recria e engorda. Os alevinos de cinco centímetros são comprados em Porto Velho. Uma parte é criada por Domingos na unidade demonstrativa por três meses até atingir a fase juvenil (cerca de 20 centímetros), quando é comercializada para outros criadores. A outra parte vai para os tanques maiores onde é feita a engorda para que eles cheguem à fase adulta, o que ocorre depois de aproximadamente um ano, quando atingem até 12 quilos e 90 centímetros.
Segundo a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (EMATER), a produção de pirarucu é crescente. Em dois anos de trabalho já foram comercializados mais de 4 mil exemplares de peixes em idade juvenil e ainda há mais 3,5 toneladas prontas para serem comercializadas. “Ainda estamos no início dos trabalhos. Vendemos para pequenos comerciantes. Mas nossa intenção é aumentar a produção de peixes para que possamos atender a demanda do mercado que é crescente. Pensamos também em vender para outros Estados e até para fora do Brasil. Sonhar não custa nada”, declara o criador.
O sistema superintensivo adotado na unidade demonstrativa maximiza o uso da área, permitindo a produção de até 50 Kg de peixe por metro cúbico de água, enquanto no sistema convencional extensivo, a produção não chega a um quilo de peixe por metro cúbico.

Fertirrigação

O desenvolvimento do projeto em três hectares no sítio de Domingos não termina na criação dos pirarucus. A água dos tanques dos peixes, que é trocada todos os dias, rica em nutrientes como Nitrogênio e Fósforo, é usada na irrigação das plantações da propriedade, cuja produção também é comercializada. São pés de mamão, goiaba, abacaxi, açaí, coco, manga, graviola, abóbora, feijão, maxixe, tudo fertirrigado. A fertirrigação também evita que a água dos tanques seja descartada em igarapés da região, como geralmente acontece em criadouros de peixes.
Tanto as estruturas do criador de pirarucu como a fertirrigação contam com investimentos da Santo Antônio Energia e com o apoio da Emater e da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Regularização Fundiária (Seagri). O projeto é inovador e possui as licenças prévias de instalação e de operação. “A parceria com a Santo Antônio Energia é muito positiva porque sem a parceria com a empresa não teríamos condições de iniciar este projeto. A concessionária acreditou em nossa ideia e nosso sonho está se tornando realidade”, afirma o produtor rural.
Os trabalhos estão indo tão bem que o sítio de Domingos está se tornando um modelo para outros moradores do reassentamento Santa Rita. “Estamos fazendo daqui uma unidade demonstrativa, mostrando a estrutura e os resultados para despertar o interesse nos outros moradores”, explica o engenheiro agrônomo da Emater, Janderson Dalazen.