Potencial no agronegócio


O engenheiro eletricista e sócio-fundador de uma empresa de monitoramento climático para agricultura, de São Bernardo do Campo (SP), Luciano Loman, foi um dos brasileiros contemplados com uma bolsa da Nuffield, fundação sem fins lucrativos de origem inglesa, que concede bolsas de US$ 30 mil - em parceria com a iniciativa privada - para profissionais atuantes no agronegócio de nove países [Reino Unido, Austrália, Canadá, França, Irlanda, Holanda, Nova Zelândia, Brasil e Estados Unidos].
Selecionado neste ano, Loman tem 29 anos e tem como objeto de pesquisa estudar tecnologias que otimizem a agricultura vertical. Em seu trabalho, informa a diretora executiva da Nuffield no Brasil, a australiana Sally Thomson, Loman estudará a viabilidade da produção de alimentos com o mínimo de recursos e em espaços limitados.
No descritivo de seu projeto, Loman destaca que na agricultura vertical, cada aspecto do ambiente – luz, água, ar, nutrientes – é controlado para se maximizar o seu aproveitamento. O resultado que se busca é uma produção eficiente, capaz de utilizar, por exemplo, até 95% menos água do que a agricultura convencional devido a melhorias no manejo hídrico. Além da economia de recursos, a produtividade por área também aumenta com o "empilhamento" de camadas produtivas.
“Além de estudar tecnologias e desafios para a implantação de projetos de agricultura vertical em larga escala, quero estudar a viabilidade de implantação de pequenos núcleos de produção de alimentos baseados nessas modernas técnicas produtivas. Existem algumas iniciativas muito interessantes nos Estados Unidos e em alguns países europeus, que reutilizam antigos contêineres de carga para a produção de alimentos”, ressalta.
Loman foi o segundo brasileiro a ser contemplado com uma bolsa da Nuffield. O primeiro, na verdade, a primeira, em 2015, foi a economista Cecília Fialho que comparou o marco regulatório para a adoção de biotecnologia no Brasil, Estados Unidos, China e União Europeia. Em seu trabalho, Cecília concluiu que o marco regulatório estabelecido no Brasil “está mais bem posicionado” que o dos Estados Unidos, China e União Europeia. Além destas duas bolsas já concedidas a brasileiros, existe a possibilidade que mais duas saiam ainda este ano.