Retomada do progresso


Retomar o protagonismo do etanol na matriz energética brasileira e adotar políticas públicas estáveis permitirão ao setor sucroenergético restabelecer as atividades econômicas e elaborar um planejamento de médio prazo. Essa é a avaliação do secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Arnaldo Jardim, que representou o governador Geraldo Alckmin na abertura do Unica Forum 2016, ao lado do secretário de Energia e Mineração, João Carlos de Souza Meirelles. O evento organizado pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) foi realizado em São Paulo nesta segunda-feira, 28 de novembro de 2016, e reuniu lideranças políticas e do segmento.
“O setor deixou de ser apenas produtor de açúcar e cachaça para produzir também etanol e bioenergia. As políticas estáveis podem determinar qual será o papel relativo à bioeletricidade na matriz energética do País, para que possamos ter um horizonte que permita ao segmento retomar as atividades e estabelecer um planejamento”, disse Arnaldo Jardim.
Para o secretário, as políticas voltadas ao etanol não podem oscilar como ocorreu no passado, quando a participação nacional relativa do combustível na matriz para veículos leves baixou de 60% para 36%. “Não há planejamento que resista a um cenário como este. Reitero meu otimismo de que mesmo diante desta situação de instabilidade há espaço para as reflexões sobre as estratégias a serem adotadas”, afirmou Arnaldo Jardim, reforçando o apoio do governo paulista ao setor.
“O governador Geraldo Alckmin é parceiro do setor, com o qual convive sistematicamente, e reconhece a importância para o Estado de São Paulo, como também para o Brasil e para o mundo”, afirmou.
O titular da Pasta paulista lembrou ainda das ações da Secretaria para aumentar a produtividade do segmento. “Editamos uma nova resolução sobre os cuidados com o solo, devido à profunda transformação ocasionada pela mecanização da colheita da cana-de-açúcar. O Instituto Agronômico (IAC) ligado à Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta) desenvolveu o sistema de Mudas Pré-Brotadas (MPB), que representa um aumento de produtividade, assim como novas cultivares têm sido identificadas para otimizar as condições para as pesquisas sobre o etanol de segunda geração”.
O atual momento do País, após um intenso processo de impeachment é propício ao debate e elaboração de novas estratégias para o setor, avaliou diretora-presidente da Unica, Elizabeth Farina. “É importante que o segmento tenha um espaço para repensar sua estratégia, trocar ideias num momento de muitas mudanças que tocam as principais questões do momento, na visão política e econômica”, afirmou a executiva.
Para o ministro de Minas e Energia, Fernando Bezerra Filho, a atual gestão busca delimitar qual o tamanho do Estado e promover um processo de reinstitucionalização dos setores. “O papel do Ministério é estabilizar a situação, formatar regras claras àquilo que for necessário para que possamos dar à iniciativa privada as condições de fazer o investimento neste setor que tem tanto conhecimento e riqueza acumulados e para que possamos aproveitar as oportunidades”, avaliou.
O presidente do Conselho da Copersucar, Luis Roberto Pogetti, que participou do painel sobre o setor sucroenergético e a atual conjuntura econômica, os principais desafios para a retomada da economia brasileira são “a promoção de um amplo ajuste fiscal num cenário de crise econômica e social; adaptação num momento de mudanças do cenário internacional e respaldo político à sociedade com enorme energia de mudança e transformação”, disse.
O Unica Forum 2016 debateu ainda temas como a “Nova matriz Energética”; As Bioenergias e a Viabilização dos Compromissos Brasileiros no Acordo do Clima” e “Petróleo, Bioenergias e o Abastecimento de Combustíveis”. Também participaram do evento o secretário-adjutno de Agricultura e Abastecimento, Rubens Rizek Jr., o presidente da Sociedade Rural Brasileira, Gustavo Junqueira, o deputado estadual Itamar Borges, o vice-presidente de Relações Externas e Estratégia da Raízen, Pedro Mizutami e economista e chefe do Centro de Crescimento Econômico do Instituto Brasileiro de Economia (IBRE/FGV), Samuel Pessôa.