Integração da lavoura e pecuária


No dia 15 de fevereiro, a Embrapa Pecuária Sudeste, a Embrapa Cerrados e a Coopercitrus realizaram Dia de Campo sobre integração Lavoura-Pecuária (ILP) e Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), em Bebedouro (SP). Cerca de 80 pessoas, entre produtores e técnicos da Cooperativa, estiveram na Unidade de Referência Tecnológica (URT) instalada na Estação Experimental de Citricultura de Bebedouro (EECB) para visitar as cinco estações que abordaram os temas fertilidade do solo, espécies forrageiras em sistemas integrados, formação de pastagem em sistema ILP, características e manejo de modelos integrados e características de cultivares de soja da Embrapa Cerrados.
O evento é fruto da parceria firmada há dois anos entre Embrapa Pecuária Sudeste (São Carlos, SP) e Coopercitrus para ações de transferência de tecnologia em ILPF no estado de São Paulo. A parceria conta com capacitação continuada sobre sistemas integrados para os técnicos da cooperativa, implantação de URTs e eventos de transferência de tecnologia.
A URT foi estabelecida em seis hectares, com um sistema de pastagem degradada (prova negativa), três sistemas de ILP (agropastoril), um de IPF (silvipastoril), três de ILPF (agrossilvipastoril) e uma vitrine de forrageiras. Os três modelos de ILPF implantados foram com Eucalipto citrodora, Mogno e Teca em consórcio com Brachiária brizantha BRS Paiaguás, com objetivo de comercialização de madeira nobre.
O estado de São Paulo tem 9,5 milhões de hectares referente somente a solos arenosos degradados, o que corresponde à metade da área do Estado. Dados da URT de Bebedouro demonstram que os sistemas de ILP e ILPF podem dobrar a eficiência de fósforo no solo, contribuindo para a recuperação.
De acordo com os pesquisadores João K. e Luiz Adriano Maia Cordeiro, da Embrapa Cerrados, um estudo recente estimou que os sistemas integrados ocupam hoje 11, 5 milhões de hectares no Brasil, dos quais 800 mil hectares estão em São Paulo. "Cerca de 90 % dos produtores que adotam sistemas integrados usam o ILP. O sistema ILPF é utilizado por 10 %, tendo ainda muito espaço para adoção", destaca Cordeiro.
Para Chrys Melinski Sercioloto, gerente de nutrição vegetal da Coopercitrus, "é necessário despertar nos cooperados a importância do sistema ILPF, o cuidado na implantação e os benefícios que ele pode trazer". Segundo Sercioloto, os benefícios para o agricultor englobam renda adicional no período de inverno, controle de plantas daninhas e nematóides, maior retenção de água no solo, ciclagem e aproveitamento de nutrientes, recuperação de fósforo e incremento da matéria orgânica. Para o pecuarista, os benefícios são a reforma da pastagem com menor custo, o aproveitamento dos resíduos agrícolas para alimentação animal, o bem-estar animal, a racionalização do emprego da mão-de-obra e incentivos governamentais.
"No sistema ILP a quantidade de massa seca da pastagem em consórcio de braquiária com sorgo para silagem nessa URT obteve um incremento de 7%. Já a taxa de lotação de animal por hectare quadruplicou, passando de um animal/hectare (pastagem degradada) para quatro", comenta Cordeiro.
Para o gerente do DepartamentoTécnico da Coopercitrus, Agostinho Mário Boggio, o impacto da parceria da Embrapa com a Coopercitrus é muito positivo. “Antes não tínhamos nenhum trabalho com sistemas integrados. A partir da parceria, o tema despertou interesse dentro da Cooperativa. É uma forma do produtor otimizar o uso da propriedade. Temos exemplos de alguns cooperados que tinham pastos degradados e com o conhecimento dos sistemas integrados começaram a desenvolver ações", afirma Boggio.
O produtor Maurício Curi Prearo, de Itaju (SP), esteve no evento porque pretende implantar o sistema ILPF no final de 2017. "Tenho grande expectativa com o ILPF. Sabemos que há variações de resultados em função da região, do manejo e de como foi implantado. Envolve áreas que não detenho conhecimento, como o componente florestal, que é novidade. Mas temos acompanhado os eventos e percebemos que o sistema é interessante. O nosso foco é a pecuária, mas o resultado financeiro da madeira será consequência, já que nossa maior preocupação é bem-estar animal", conta o produtor.
O pesquisador José Ricardo Pezzopane, da Embrapa Pecuária Sudeste, ressalta a importância da definição do arranjo do sistema. "Saber para qual uso se destinará a madeira produzida no sistema e se há demanda do mercado é muito importante. A definição do tipo de árvore dependerá do negócio a ser definido. Há opções para serraria, laminação, lenha, palanques de cerca, carvão e papel, por exemplo", explica Pezzopane.
A parceria entre a Embrapa e a cooperativa, que tem uma média de 28 mil cooperados, está contribuindo para a adoção de sistemas de integração no estado de São Paulo. Segundo o coordenador da rede ILPF em São Paulo, Hélio Omote, da Embrapa Pecuária Sudeste, há grande potencial de ampliação da área de sistemas integrados.
Para o diretor de máquinas agrícolas da Coopercitrus, José Geraldo Mello, a parceria é uma oportunidade para aprender como obter ganhos de produtividade e rentabilidade de uma forma sustentável. “Estamos preparando os nossos cooperados para o futuro", ressalta.