Tripanossomose bovina


Silenciosa e com sintomas difusos, a tripanossomose vem se espalhando sorrateiramente pelos rebanhos brasileiros desde a década de 40 e causando estragos por onde passa. Apenas no estado de São Paulo, foram registrados mais de 16 surtos da doença desde 2008, época em que os primeiros casos da enfermidade surgiram na região.
A doença, que é causada por um protozoário do gênero Trypanosoma, impacta diretamente os criadores, gerando queda na produção de leite e de carne. O parasita age na corrente sanguínea, causando severa anemia, hipertermia, danos neurológicos, ataxia, tremores, imunossupressão, entre outros sintomas que levam os animais a óbito em um curto espaço de tempo. A doença também pode se apresentar de forma subclínica em rebanhos de leite e corte, diminuindo o desempenho produtivo dos animais.
A doença tem como vetores o mosquito da espécie mutuca e a mosca de estábulos, porém, a contaminação também pode ser mecânica, através dos compartilhamentos de agulhas e seringas. “Nessa forma de transmissão, o parasita é colocado direto na corrente sanguínea do animal, o que diminui o período de incubação e agravando a rapidez do surto. Os primeiros sintomas podem surgir em menos de uma semana”, comenta o Gerente de Marketing Unidade de Ruminantes da Ceva Brasil, Rudsen Pimenta.
Em alguns casos, a compra de novos animais também foi apontada como um meio importante para o surgimento de surtos da enfermidade. “Como possui um período de incubação, mesmo com aparência saudável, o animal pode estar infectado. O estresse do transporte, muitas vezes estimula a imunossupressão e os primeiros sintomas acabam se manifestando apenas quando o animal já está inserido no rebanho”, explica Pimenta.
Medidas estratégicas, como a quarentena e tratamento preventivo, são indicadas para evitar essa forma de contaminação, principalmente quando os animais adquiridos vêm de regiões endêmicas como Triângulo Mineiro, Espírito Santo, Goiás, entre outras regiões onde os surtos da doença são comuns.
Outro ponto importante é identificar a doença antes que os sintomas se agravem.
“A Tripanossomose não é uma doença nova, mas muitos produtores ainda têm dificuldade em identificar os sintomas. É importante que o animal contaminado comece o tratamento correto o mais rápido possível, quanto mais cedo for feito o diagnóstico maiores são as chances de controlar o quadro e evitar o aparecimento de sequelas em órgãos nobres como fígado e coração, lesões que podem comprometer o animal para o resto da vida”, explica Rudsen.