Boi 7.7.7


Pecuaristas brasileiros poderão ter em mãos um livro para consultar sobre o sistema do Boi 7.7.7, tecnologia desenvolvida pela Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), que visa à produção do gado de 21 arrobas em até dois anos, enquanto no sistema tradicional os produtores produzem gado de 18 arrobas em três anos. A obra “Entendendo o Conceito do Boi 777”, será lançada em 23 de maio, a partir das 8h, em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, durante a Confinar 2018. A APTA é ligada à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.
O conceito do Boi 7.7.7, desenvolvido pela APTA, preconiza que os animais alcancem sete arrobas na desmama, sete na recria e outras sete na engorda. Para atingir a meta, é necessário utilizar diversas ferramentas, principalmente, manejo de pasto e suplementação alimentar, que varia de acordo com o peso do animal. Adotada por pecuaristas de todo o Brasil, a tecnologia tem ajudado a modificar a produção brasileira de gado de corte, aumentando em 30% a lucratividade dos produtores e disponibilizando ao mercado carne com melhor qualidade, com sabor, maciez e coloração mais atrativa para o consumidor. Além disso, produzir gado de corte de forma mais rápida diminui a emissão de metano para a atmosfera.
“O livro ‘Entendendo o Conceito do Boi 7.7.7’ é destinado ao pecuarista e aos funcionários da fazenda. É uma publicação com linguagem bem acessível que descreve como os produtores podem ter uma fazenda eficiente e sustentável. Este conceito de produção leva o produtor a se mexer para alcançar a meta e isso é muito importante para melhorar a competitividade das propriedades brasileiras”, afirma Flávio Dutra de Resende, pesquisador e diretor do Polo Regional de Colina da APTA, conhecido como o “berço do Boi 7.7.7”. A obra foi editada por Resende, Gustavo Rezende Siqueira e Ivanna Moraes de Oliveira, todos do Polo Regional de Colina da APTA. Os interessados em adquirir a obra devem entrar em contato pelos telefones 17 3341-1332 e 3341-1902.
Para Siqueira, o lançamento do livro busca atender a demanda dos produtores rurais. “Sempre tivemos um trabalho bem próximo ao pecuarista e muitas vezes, depois das conversas, cursos e treinamentos, eles nos pediam um material para consultar quando houvesse dúvida na hora de levar para campo o que aprenderam. Este livro busca justamente atender a esta solicitação”, explica.
O lançamento da obra contará com quatro partes. Na primeira delas, Mauricio Palma Nogueira, da Agroconsult, fará a palestra “Ambiente produtivo: Por que preciso produzir 21@ em até 24 meses?”. A parte dois contará com as palestras “Da vaca ao desmame: Escolheu a genética, agora tem que emprenhar” e “Programando o Boi 7.7.7”, que serão proferidas por José Luiz Moraes Vasconcelos, da Unesp-Botucatu, e Mateus Pies Gionbelli, da Universidade Federal de Lavras (UFLA), respectivamente.
Na terceira parte, serão discutidos “Do desmame ao boi magro: Todo ano tem seca. Está preparado?” e “Consolidando as 7@ da recria”, que serão apresentadas por Manoel Eduardo Rozalino dos Santos, da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), e Gustavo Rezende Siqueira, da APTA. A quarta e última parte contará com a palestra “Do boi magro ao boi gordo: Consolidando as 7@ da terminação”, ministrada por Flávio Dutra de Resende, da APTA, “Considerações sobre qualidade de carcaça do Boi 7.7.7”, por Ivanna Moraes de Oliveira, da APTA, e “Produziu 21@ em até 24 meses? E o mercado? Como está?”, por Fabiano Ribeiro Tito Rosa, da Minerva Foods.
“Esta programação visa levar toda a gama de conhecimento gerado pela APTA e por seus parceiros sobre eficiência nas propriedades. O conceito do Boi 7.7.7 faz com que o produtor olhe para sua fazenda como uma empresa, algo que ele não estava acostumado”, afirma Resende.
Na avaliação dos pesquisadores da APTA, a incorporação de tecnologias nas fazendas de produção de gado de corte é imprescindível para o sucesso da pecuária. Para eles, não é viável que os pecuaristas continuem produzindo hoje como seus pais e avós produziam.
“Na década de 70, um pecuarista conseguia uma receita de R$ 600 por hectare. Se ele tivesse uma fazenda de mil hectares, sua renda seria de R$ 50 mil por mês. Hoje, nessa mesma área, produzindo da mesma forma, o produtor consegue uma receita de R$ 100 por hectare. Se ele produzir nesses mesmos mil hectares, terá uma renda de R$ 8 mil por mês”, exemplifica Siqueira.
“Iniciativas como essa são importantes para aproximar a pesquisa do setor de produção. A transferência de tecnologia e conhecimento auxilia o produtor a melhorar a renda e a lucratividade de sua propriedade, uma recomendação do governador Márcio França”, afirma Francisco Jardim, secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.