Investimentos públicos


Até 2018, a fruticultura receberá R$ 128 milhões entre investimentos públicos e privados para combate às moscas- das-frutas. Segundo o Ministério da Agricultura, a praga causa danos de US$ 120 milhões ao ano, entre produção, custos de controle, processamento e comercialização.
Intitulado "Programa Nacional de Combate às Moscas-das-Frutas", o projeto foi lançado ontem (8) pela ministra da pasta agrícola, Kátia Abreu, em parceira com a Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas).
"Essa mosca não adoece pessoas, apenas o bolso do produtor, que acaba repassando para o consumidor os prejuízos causados pela praga", explica Kátia, conforme nota do ministério. "O controle sanitário ajuda na competitividade e baixa custos", acrescenta.
O aporte direto da pasta será de R$ 10 milhões ao ano para implementação de sistemas de mitigação de risco, certificação e programas de erradicação, além de R$ 6 milhões anuais para o subprograma específico, de erradicação da mosca-da-carambola.
O ministério ainda repassará, por meio de convênio com estados, mais de R$ 20 milhões entre 2015 e 2016. Já a iniciativa privada vai cooperar com R$ 6 milhões por ano, por meio da Abrafrutas.
De acordo com o discurso da ministra, a preocupação está no escoamento das frutas tanto para o mercado interno quanto externo. "Se um produtor produz 100 quilos e perde 30 com essa praga, ele vai ter que vender mais caro para pagar seus custos. Já para exportação, os produtos não são aceitos por receio de as moscas invadirem os pomares de outros países. Temos que combater a praga para elevarmos o consumo interno e exportamos esses produtos mundo afora", comenta.
Kátia destacou a recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMC) sobre o consumo per capita de frutas, cujo ideal é ser de 140 quilos por ano. No entanto, cada brasileiro consome cerca de 57 quilos em média, anualmente, dando margem à expansão na demanda doméstica.

Resposta

Em abril, a Comissão Nacional de Fruticultura da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), junto a outras entidades, se reuniu com a ministra e discutiu, dentre outros temas, a questão da mosca-da-carambola, pleito atendido neste último anúncio. A cadeia reivindicava por ações de defesa na fruticultura e a falta delas diminuía a competitividade diante de concorrentes como Austrália e EUA.

Poder de registro

A pasta agrícola quer um órgão específico para o registro de produtosagropecuários, atual função da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A medida deixaria apenas os medicamentos humanos a cargo da agência reguladora e, em contrapartida, agilizaria os processos do ministério. "Estamos recebendo sugestões e analisando do ponto de vista científico. Seria uma boa solução para que os produtos agropecuários tenham um fórum próprio", argumentou durante o evento de ontem.

Fonte original: DCI