Mercado Atacadista


Os dois principais produtos da cesta básica do brasileiro apresentaram trajetórias de preços diferentes em outubro de 2018, quando comparados ao mês anterior. Enquanto o arroz ostentou alta de 3,04%, o feijão deu um refresco com a queda de 7,59%, informa o Instituto de Economia Agrícola (IEA), instituição de pesquisa da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, em estudo que analisa a variação dos preços médios do mercado atacadista da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP). “Mesmo seguindo caminhos opostos na variação mensal e dos últimos 12 meses, arroz e feijão acumulam índices acima da inflação durante o ano de 2018”, destacam Vagner Azarias Martins e José Alberto Angelo, pesquisadores do IEA. Entre os produtos que apresentaram alta no mês de outubro, merecem destaque as batatas escovada (+ 27,5%) e lavada (+ 25,8%) e a cebola (+ 31,3%); os demais: alho, tanto o branco como o roxo; carnes bovina resfriada - com exceção do corte dianteiro com osso -, suína e de frango; farinha de mandioca crua; manteiga sem sal e óleo de soja variaram menos de um dígito. Café torrado e moído, farinhas de mandioca crua e de trigo, leite longa vida, ovos brancos e vermelhos e queijo mussarela fecharam o mês em queda. Arroz e feijão ao longo do tempo Para a observação de tendências, a partir do componente de preços, é necessária a análise de uma série mensal de, ao menos, 36 meses, explicam os pesquisadores. Com relação a evolução dos preços do feijão carioquinha e do arroz agulhinha temos que, entre janeiro de 2015 e outubro de 2018, o arroz apresentou alta de 14,65%. Já o feijão, no mesmo intervalo de tempo, sofreu queda de 31,36% nos preços praticados. O mesmo resultado pode ser observado quando considerada apenas a variação dos últimos 12 meses, levando os pesquisadores a destacar que o arroz pressiona o índice de inflação nesse ano, dado que a variação dos últimos 12 meses foi de +8,11%; enquanto o feijão “segura” o índice, pois, a variação, no mesmo período, foi de - 8,79%. Em relação ao aumento desses itens neste ano, dois fatores podem estar influenciando esse resultado: o período entre maio a julho de 2018, que foi mais seco do que a média, e prejudicou algumas culturas, entre elas o feijão e o volume de arroz exportado pelo Brasil em 2018 (mesmo sem o fechamento do ano) que já é quase o dobro do embarcado em 2017, passando de pouco mais de 25 mil t para quase meio milhão de toneladas, enquanto as importações apresentam redução de 36%