Procura-se, engenheiro agrônomo no padrão ''T''


Por Evaristo Marzabal Neves Professor Titular aposentado – ESALQ/USP. E-mail: emneves@usp.br

De contatos com membros de equipes de RH de organizações, Headhunters, Executive/Personal Coachings ou via chamadas de empresas caracterizando os atributos desejados, pode-se formatar um engenheiro agrônomo padrão “T” procurado no mercado. O que seria este padrão? Decompondo-se a letra T tem-se a linha vertical que se apóia numa base e que caracteriza o conhecimento ou o aprofundamento na especialização vocacionada. Pois bem, se ficarmos somente com a linha vertical ter-se-á um “I” alicerçado na especialização, mas que no mundo atual ou no ambiente de trabalho que demanda por equipe, times autogerenciáveis e saudável clima organizacional inter e multidisciplinar, pode também caracterizar um profissional “I”ncompleto. Por quê? Porque está engessado na especialização e é necessário que aumente seu conhecimento periférico, desenvolvendo na graduação outras capacidades (analítica, perceptiva e interpretativa) para atuar em outras áreas. Assim, nesta direção, completa formando o “T” com a linha horizontal superposta sobre a vertical. Desta forma, esta linha horizontal significa amplitude de conhecimento expandindo-o para além do especifico. Caracteriza, nos dias de hoje, o procurado “especialista generalista”. Na ESALQ/USP, este apelo de mercado induziu a criação de uma disciplina obrigatória (acreditamos ser inédita e pioneira nos cursos de engenharia agronômica no país, a partir de 2008), oferecida no primeiro semestre aos ingressantes em Engenharia Agronômica, denominada “Introdução à Administração, voltada preferencialmente para a administração do tempo e da agenda universitária, com forte ênfase na escola de administração humanista, De saída, os ingressantes em engenharia agronômica são estimulados e motivados ao desenvolvimento, planejamento e anotação em sua agenda universitária de ingredientes que complementam sua formação periférica (linha horizontal do “T”). Nesta direção há pelo menos 5 anos para planejar, treinar e agregar ao seu conhecimento vocacionado (especialização), atributos outros que o auxiliem na visão complementar generalista, que lhes dão “jogo de cintura” e certo domínio do que gira à montante e jusante de sua especialização, caracterizando o atendimento da academia no oferecimento ao mercado de um “empreendedor cosmopolita”. Hoje tem empregabilidade ou mais facilidade de colocação no mercado, atendendo as solicitações das características e atributos desejados, o recém formado que tenha domínio de outra língua (preferencialmente o inglês, língua universal e se já a domina o investimento numa terceira língua), tenha praticado a iniciação científica (entendimento que a solução de um problema tem principio, meio e fim, tão comum nas organizações, quando em sala de aula, recebe um produto pronto) e participado de grupos de extensão (desenvolvimento de espírito de equipe, de estrutura organizacional, simultaneidade teoria e pratica, e, visão interdisciplinar); conhecimento de pacotes computacionais; estágios externos ao Campus e intercâmbio visando a aclimatação ao ambiente no “day after” à colação de grau; a pratica de responsabilidade socioambiental e de sustentabilidade (administração da natureza e do ambiente), administração da informação e da comunicação (inteligência de mercado e indicadores de preços) e noções de gestão, RH, negócios e logística, entre outras características que trabalha o capital humano e formata e dão consistência ao seu quociente emocional (QE). Estes condicionantes de empregabilidade são despertados no primeiro semestre com a participação motivadora de especialistas na disciplina “Introdução à Administração”, ponto de partida para o incentivo a busca do fortalecimento e aprendizado destas características e atributos em outras disciplinas (obrigatórias e optativas) oferecidas ao longo da vida universitária. Parece exigir demais, mas bem orientado na administração do tempo (recurso mais escasso) e na agenda universitária procura-se formar um agrônomo adaptado aos tempos modernos do conhecimento e operacionalização na pavimentação da estrada “economia verde” e da “sustentabilidade técnica, socioeconômica e ambiental”. No meu julgamento, este deveria ser um ingrediente privilegiado na agenda do ensino de agronomia no país.

Fonte: JEA - Jun/2012