Acordo em vista


O Brasil e os Estados Unidos estão perto de fechar um acordo em relação a disputa relacionada a subsídios ao algodão que já dura dez anos. É o que informam fontes brasileiras e apontam o que poderá ser o primeiro passo concreto de reaproximação entre os dois países, cujas relações foram abaladas após um escândalo de espionagem.
Falta pouco para Washington fechar um acordo com produtores brasileiros de algodão que pedem compensação por subsídios recebidos por produtores norte-americanos, revelou uma fonte do governo brasileiro, que pediu para não ser identificada porque as negociações ainda não estão concluídas.
"Estou bastante confiante de que um acordo será alcançado nesta terça-feira", disse a autoridade. Duas outras fontes próximas das negociações confirmaram que um acordo está em fase final.
As relações entre Brasil e Estados Unidos foram estremecidas no ano passado por revelações de que a Agência Nacional de Segurança dos EUA (NSA, na sigla em inglês) espionou a presidente Dilma Rousseff com programas de vigilância digital, segundo documentos vazados pelo ex-analista da NSA Edward Snowden.
As negociações diplomáticas em diversos setores, desde dupla tributação até regras para emissão de vistos, foram congeladas.
Em 2004, o Brasil venceu na Organização Mundial do Comércio (OMC) uma disputa contra os subsídios recebidos por produtores de algodão dos EUA, ficando com o direito de impor sanções contra produtos norte-americanos no valor de 830 milhões de dólares. O Brasil concordou em suspender a punição caso os EUA depositassem dinheiro em um fundo de assistência para produtores brasileiros de algodão.
Os EUA pararam de pagar a compensação mensal em outubro do ano passado, devido a divergências no Congresso norte-americano sobre o orçamento federal, o que levou o governo brasileiro a ameaçar impor tarifas mais altas para produtos dos EUA.
O vice-presidente dos EUA, Joe Biden, viajou ao Brasil e encontrou-se com Dilma em junho, na esperança de virar a página do episódio de espionagem. Ele assegurou à presidente brasileira que Washington mudou a maneira que realiza vigilância eletrônica.
Em outro sinal de que as relações estão começando a avançar, os dois países assinaram um pacto de troca de informações fiscais na semana passada que poderá levar a um acordo fiscal que evite dupla tributação de companhias norte-americanas que operam no Brasil, e vice-versa.

Fonte original: Reuters