AGRICULTURA BRASILEIRA


Ao longo das últimas quatro décadas, a pesquisa agropecuária brasileira contribuiu, de forma definitiva, para a modernização dos sistemas de produção do País, fazendo com que o Brasil garantisse o abastecimento interno e produzisse excedentes exportados para todo o mundo. Essa mudança do perfil da agricultura brasileira impôs o desafio de, ao mesmo tempo, continuar avançando em produtividade e incluir o maior número possível de pequenos agricultores nos benefícios gerados por esse processo. Preocupados com essa questão o professor do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas Unicamp e conselheiro do CIB, José Maria da Silveira, em parceria com os pesquisadores da Embrapa Eliseu Alves e Zander Navarro editaram o livro O Mundo Rural no Brasil do Século 21. A publicação recém-lançada tem como objetivo analisar o cenário e propor reflexões que podem contribuir com a formulação de políticas sobre o assunto.
Um dos 37 capítulos do livro, intitulado Pequenos e Médios Produtores na Agricultura Brasileira Situação Atual e Perspectiva, sugere que muitos obstáculos enfrentados por pequenos produtores para competir no mercado poderiam ser mitigados pela tecnologia. Escrito por Steven Helfamd (Universidade da Califórnia-Riverside), Vasessa da Fonseca Pereira (Embrapa) e Wagner Lopes Soares (IBGE) o texto sugere ações coletivas que facilitem o acesso às tecnologias agrícolas. A produtividade, e não o tamanho da propriedade, é que determinará a sobrevivência dos produtores, afirmam.
Dados presentes no capítulo escrito pelo pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) José Eustáquio Ribeiro Vieira Filho, revelam a importância da tecnologia para o avanço agropecuário brasileiro das últimas décadas. No texto Transformação Histórica e Padrões Tecnológicos Brasileiros ele mostra que, a partir da década de 1970, a produtividade da agropecuária brasileira passou a evoluir de forma mais intensa que a média mundial e essa evolução é ainda mais evidente a partir dos anos 1990. Apenas em soja, o Brasil exportou 42,8 milhões de toneladas no ano passado e considerando os embarques de grãos, farelos e óleos, o País contabilizou US$ 30,96 bilhões em receitas com exportações.
A inovação é fundamental para aumentar a produtividade e a biotecnologia é uma ferramenta que pode contribuir. Na safra 1997/1998, no Brasil, imediatamente antes da aprovação da primeira soja transgênica pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança CTNBio (1998), a produtividade da leguminosa foi de 2,3 mil kg por hectare (ha) de acordo com dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Na safra 2013/2014, a previsão é que esse número seja de 3 mil kg por ha. Mais de 90% das lavouras da commodity foram plantadas com variedades GM no último ano. Esses dados apontam para uma significativa contribuição da biotecnologia para a produtividade da soja.
José Maria da Silveira lembra que os desafios do desenvolvimento tecnológico são muitos, a exemplo dos alimentos funcionais, transgênicos com características nutricionais melhoradas, biofertilizantes, agricultura de precisão e etc. Com essas e outras informações sobre a agricultura brasileira, o livro O Mundo Rural no Brasil do Século 21 é, ao mesmo tempo um documento histórico, um retrato do presente e um guia para futuro.

Fonte: Redação CIB e Pesquisa Fapesp