Crise beneficia exportação


A crise entre Ocidente e Rússia começa a beneficiar de forma concreta os exportadores do Brasil. Em agosto, as vendas brasileiras para o mercado russo aumentaram 7%. Contabilizando apenas o setor de bens básicos, a alta foi de 12%. No setor de semi-industrializados, a alta foi de 106%. A expansão do comércio com a Rússia contrasta com a queda das exportações do Brasil para o restante do mundo. As vendas nacionais, em agosto, sofreram uma queda de 11%.
No ano, as exportações brasileiras, no total, aumentaram apenas 1,6%. Mas, para a Rússia, a elevação foi de 22%, com um total de US$ 2,4bilhões. Somando apenas as vendas de produtos primários, a alta foi de 40%.
Entre janeiro e o final de agosto, a liderança nas vendas brasileiras no mercado russo continua sendo a exportação de carne bovina. A alta foi de 13% em comparação com o mesmo período de 2013, somando um total de US$ 885 milhões.
Mas o grande destaque ficou com a Carne Suína, que registrou uma alta de exportações de 86% entre janeiro e agosto, em comparação com o mesmo período de 2013. As vendas totalizaram US$ 456 milhões. O salto na venda de Carne Suína fez o produto passar o açúcar na pauta de exportações do Brasil e assumir o segundo lugar dos produtos mais vendidos para a Rússia.
Outro setor que se beneficiou da crise entre a Rússia e os Estados Unidos e Europa é o de frango. O aumento nas vendas entre janeiro e agosto foi de 41%, totalizando US$ 110 milhões.
Para setembro, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) já indicou que as vendas nacionais de carne de frango somaram 359,6 mil toneladas. O volume representa uma alta de 19 % em comparação ao mesmo mês de 2013 e, para a entidade, foi o salto nas vendas para a Rússia que garantiu a expansão. Em agosto, o setor havia embarcado 8 mil toneladas de frango para a Rússia, mercado que era controlado pelos americanos. Em setembro, o volume brasileiro já chegou a 20 mil.

Sanções

Os EUA e a União Europeia adotaram em agosto medidas para punir a economia russa, em um esforço para convencer o governo de Vladimir Putin a não desestabilizar o Leste da Ucrânia, em plena guerra.
Como resposta, Moscou fechou o mercado russo para os bens agrícolas do Ocidente e foi buscar justamente na América Latina uma alternativa para seu abastecimento. Algumas estimativas do setor privado europeu apontam que o embargo russo pode custar à economia europeia mais de € 3 bilhões.
O embargo russo começou a vigorar contraos bens agrícolas ocidentais na primeira semana de agosto. E os dados oficiais apontam para uma alta nas exportações brasileiras para o mercado russo já no primeiro mês das medidas.
O Brasil, porém, não é o único a se beneficiar do embargo contra a Europa. A venda de pêssegos da Turquia para o mercado russo teve um aumento de 72 vezes desde agosto, segundo os dados oficiais de Moscou.
Na Europa, produtores de frutas estão recebendo subsídios extras como compensação pelas perdas que estão sofrendo com o embargo russo.

Fonte original: O Estado de São Paulo