LIDERANÇA NO CAMPO


Não basta liderar a produção, é preciso garantir sustentabilidade e desenvolvimento socioeconômico. Essa meta ganha repercussão entre os países sul-americanos, justamente durante uma safra que promete colheita volumosa mas enfrenta queda nas cotações dos grãos. As discussões reúnem centenas de produtores, analistas, executivos e autoridades nesta semana, em Foz do Iguaçu. O Fórum de Agricultura da América do Sul, realizado pelo Agronegócio Gazeta do Povo nos dias 27 e 28, terá três conferências e oito painéis temáticos, para mostrar rumos da produção.
A importância da América do Sul para o abastecimento global vai além da liderança na produção (52%) e na exportação (54%) da soja. A região responde por 31% do mercado global do milho e 6% no do trigo. E, no comércio internacional de carnes, exporta 39% do frango, 33% do bovino e 13% do suíno, conforme a base de dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda).
Apesar dessa participação crescente, a região está sujeita às cotações das commodities e toma poucas medidas preventivas que possam amortecer o impacto de sobressaltos no mercado, expondo as cadeias produtivas a riscos externos.
Governantes e agentes privados vão buscar no Fórum de Agricultura subsídios para a tomada de decisões. Devem participar o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Brasil, Neri Geller, e o ministro da Agricultura e Pecuária do Paraguai, Jorge Gattini, entre outras autoridades nacionais e estaduais. O painel sobre o campo e os países emergentes do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) deve contar com participação do embaixador da Rússia no Brasil, Sergey Akopov, e do diretor da empresa indiana United Phosphoros Limited (UPL) no Brasil, Lalit Khulbe.
Os especialistas vão abordar as alternativas do setor privado e o papel do Estado no desenvolvimento do agronegócio. As próprias políticas públicas dependem da atuação privada, aponta a conferencista Monica Rodrigues, da Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal). E o acesso à informação se tornou decisivo, acrescenta.
O Fórum vai discutir ainda infraestrutura, logística, comércio internacional e empreendedorismo na agricultura familiar, entre outros temas selecionados pelos técnicos que ajudam a realizar o evento. A conferência final vai abordar “Os desafios da América do Sul rural”, com o economista do Banco Mundial Hector Peña.

Fonte original: A Gazeta do Povo online