Safra recorde


Este ano, o agronegócio deu provas que poderia ser ainda mais lucrativo do que é. Hoje o setor responde por 22,8 % do PIB nacional e 37% dos empregos gerados no País. Senão bastassem os problemas rotineiros de falta de Infraestrutura, planejamento e segurança jurídica, em 2014, os pecuaristas e agricultores tiveram de lidar com a inesperada mudança nos padrões climáticos de importantes regiões produtoras do Brasil.
No Rio Grande do Sul, por exemplo, o excesso de chuva prejudicou a safra de trigo, e em São Paulo e Minas Gerais, a Estiagem comprometeu a Cana-de-açúcar e o café. Ainda assim, no mês passado o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) anunciou que são bons os prognósticos para a colheita de 2015. Ocampo terá safrade 198,3milhõesdetoneladasdegrãos, 2,5% superior ao projetado para 2014.
No cálculo da produção de cereais, le-guminosas e oleaginosas de 2015, o IBGE se baseou não apenas no comportamento do clima, mas também no mercado, o que reduziu o peso ambiental. "A recuperação do preço estimula novas plantações. Quanto mais caroéoproduto, mais incentivo o produtor tem em investir no agronegócio", afirmou o gerente de Coordenação Agropecuária do IBGE, Mauro André Andreazzi.
Apesar da boa notícia, oclimaimpac-tou negativamente o agronegócio. "Houve atraso de 5% a 12% na área plantada", disse o diretor de Política Agrícola e Informações da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), João Marcelo Intini. "As instalação das lavouras começaram mais tarde", observou.
"O atraso no plantio leva ao atraso da colheita", diz o diretor da Sociedade Nacional de Agricultura, Hélio Sirimarco, referindo-se principalmente aos efeitos da Estiagem na região Sudeste, que ainda sofre pela falta de chuvas. Haverá, segundo ele, redução na produtividade do café, em Minas Gerais, e da cana, em São Paulo. "Foi um período sem precedentes. Dependemos muito da chuva, pois nossas áreas são vastas, inviabilizando a irrigação", disse.
De acordo com dados do Ministério da Integração Nacional, o País possui hoje cerca de 5,5 milhões de hectares da área Agrícola irrigada (12%) e potencial para atingir 29,6 milhões de hectares.

TRIGO
No Rio Grande do Sul o excesso de chuva prejudicou a colheita e a qualidade do trigo. O País terá de importar para compensar a baixa produção. "A safra gaúcha vai reduzir em média 35% do volume antes esperado", disse João Marcelo Intini, da Conab.
As chuvas, no entanto, continuam irregulares nas principais regiões produtoras de grãos. E o plantio de Soja está atrasado. Mesmo assim, a Conab estima que o País possa bater o recorde da safra de Soja, que deve ficar entre 89,3 milhões e 91,7 milhões de toneladas. "A tecnologia usada para amenizar a mudança climática também ajudou", diz Intini.
De acordo com as análises do IBGE, o entro-Oeste vem puxando há três anos consecutivos o recorde na safra de grãos no País. Em 2014, a região respondeu por 82,1 milhões de toneladas da safra de grãos; seguida pelo Sul, com 72,3 milhões de toneladas; pelo Sudeste, com 17.8 milhões de toneladas; Nordeste, com 15.8 milhões de toneladas; e Norte, com 5,5 milhões de toneladas.
O Mato Grosso liderou o ranking de maior produtor nacional de grãos, com uma participação de 24,4%, seguido pelo Paraná (18,5%) e Rio Grande do Sul (15,6%), que somados representaram 58,5% do total nacional previsto.

Fonte original: O Estado de São Paulo