Logística e transporte


Que o Brasil é um grande produtor de grãos e carne é fato, mas um grande gargalo para o agronegócio brasileiro é a logística. Este fator, mais a infraestrutura, emperram o crescimento do setor, que se torna pouco atrativo para investidores e usuários do sistema. Os investimentos públicos realizados nas últimas décadas não foram suficientes para suprir a demanda.
Mas há notícias animadoras para 2015. Em relação às rodovias, o Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (DNIT) licitará trechos relevantes com o objetivo de diminuir gargalos logísticos que dificultam o escoamento da produção em diversas regiões. O estado do Mato Grosso é um dos destaques, que receberá R$ 2,7 bilhões em investimentos.
Outras obras a serem licitadas estão direcionadas ao Porto de Miritituba-PA; construção da BR-242/MT e de pontes sobre o Rio Xingu-PA, e na BR-163/PA. Além da construção do contorno rodoviário ao norte da cidade de Porto Velho-RO.
Cinco trechos de rodovias federais serão leiloados no primeiro semestre de 2015. Sendo que três deles são essenciais para o escoamento de grãos produzidos na região Centro-Oeste. São eles: BR-163, entre Sinop-MT e o Porto Miritituba-PA; BR-364, em dois trajetos que compreendem Rondonópolis-MT e Goiânia-GO, além da ligação entre Jataí-GO e o Triângulo Mineiro-MG.
A situação das rodovias brasileiras é precária e preocupante. A Pesquisa CNT Rodovias 2014, por exemplo, demonstra o cenário existente nesse modal. A pesquisa avaliou 98 mil e 475 quilômetros de rodovias pavimentadas por todo o país. Em 62,1 % da extensão total pesquisada, foi detectada algum tipo de deficiência no pavimento, na sinalização ou na geometria da via.

Ferrovias

Em muitos países, o transporte ferroviário é usual, mas no Brasil ainda é preciso muito para alcançar este patamar. Recentemente foram concluídos 855 quilômetros da Ferrovia Norte-Sul, ligando Palmas-TO a Anápolis-GO. A medida trouxe alívio para o agronegócio, especialmente aos produtores de grãos do Centro-Oeste que, atualmente, dependem do transporte rodoviário para escoar seus produtos e alcançar os portos da região Norte.
Com esta obra, espera-se reduzir em até 30% o preço do frete. Mas o novo trecho só deverá ser usado a partir de 2015, devido à indefinição sobre qual empresa será responsável pela operação da ferrovia.
É importante para a Ferrovia Norte-Sul a continuação da construção da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL), no trecho entre Ilhéus e Caitité, na Bahia. No total serão 1.527 quilômetros até a cidade de Figueirópolis-TO. Além dessa obra, está previsto para o primeiro trimestre de 2015 o lançamento do edital da Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (FICO). Com 883 quilômetros de extensão, essa ferrovia ligará Lucas do Rio Verde-MT até Campinorte-GO.

Portos

O governo deve investir na questão portuária, construindo novos Terminais de Uso Privado (TUP) nos portos organizados, sendo 26 novos empreendimentos no valor de R$ 7,6 bilhões, além de outros R$ 2,3 bilhões para a expansão de terminais já em operação.
Já em relação às hidrovias, uma grande solicitação dos produtores brasileiros, o Rio Tocantins está entre as prioridades, com a obra de derrocamento do Pedral do Lourenço, estimada em R$ 452 milhões, que garantirá a navegabilidade do Rio Tocantins, fazendo a ligação entre dois municípios do Pará, Marabá e Tucuruí.
São diversos projetos para melhorar a logística e infraestrutura do Brasil para o escoamento da produção, mas ainda não é o suficiente para suprir a necessidade do setor, sobretudo pelo crescimento anual.

Fonte original : Rural Centro