Ano difícil


A seca fez de 2014 um ano difícil para os produtores rurais do Alto Tietê. Muitos ficaram meses com a terra parada e acumularam prejuízos com mudas que morreram nos canteiros por causa do calor e da falta de água. Mas com a época das chuvas, a esperança do agricultor é de começar 2015 com canteiros cheios de plantações viçosas.
Na propriedade de Kazuchi Tasato o trabalho é intenso. Em 2014, a produção não parou, mas foi preciso superar a estiagem que mudou a paisagem da área de cultivo. As cebolinhas demonstraram o estresse com a seca por vários meses com as pontas amareladas. “Parecia que tinha jogado herbicida na plantação”, resume o produtor. Água jorrando em abundância é um alívio. É com ela que Tasato consegue colher em média 25 caixas de 20 quilos de cebolinha. O número deve dobrar ou triplicar com as festas de fim de ano. Para conseguir esse resultado, ele precisou furar um outro poço na propriedade. “A gente acabou furando e fizemos outro poço artesiano. Suficiente para molhar a chácara toda.”
O agricultor Josias de Moraes tem um sítio ao lado e também sofreu com a seca. Os canteiros da propriedade ficaram completamente parados. Dos milhares de pés de beterraba plantados em uma das tentativas frustradas de recomeçar a produção, só um vingou. O cultivo de coentro veio em seguida. Atualmente é ele quem garante alguma renda nova para Moraes. Mesmo assim, o agricultor afirma que ainda tem que viver das reservas do ano passado. Porque mesmo com as últimas chuvas as perdas com o calor forte são grandes. “Não vai ser uma plantação 100%, diria 30% de colheita. Não cobre os prejuízo que eu já tive.”
O futuro está desenhado em três canteiros que hoje servem de viveiros. Neles vão crescer sementes produzidas pelo produtor. A aposta de 2015 é o brócolis. Esse ânimo para fazer dar certo tem segredos que Moraes não esconde de ninguém: fé e apoio. “O segredo é a gente sempre pensar em Deus e o apoio da família. Então, eu não paro. Se não estou na minha propriedade vou ajudar a roça de um primo. E penso sempre vai melhorar.”

Fonte original: G1