Resultado positivo


Com crescimento superior a 10% no Valor Bruto de Produção (VBP) em 2014, a pecuária é a garantia da manutenção de resultados positivos no agronegócio para o ano que vem. O setor colaborou para as atuais projeções entre 2,8% e 3,8% de alta para o Produto Interno Bruto (PIB) agropecuário.
Na análise da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o VBP - que corresponde ao faturamento bruto da agropecuária - nacional deve atingir cerca de R$ 463,2 bilhões em 2015, alta de 2,7% no comparativo anual. Estima-se que as lavouras rendam R$ 271 bilhões, enquanto a cadeia de carnes gere receita média de R$ 192,1 bilhões, valor menor porém um salto de 17,8% sobre este ano.
O resultado da carne bovina pode atingir, sozinho, R$ 95,3 bilhões puxados pela valorização de preço da arroba. Para a CNA, outro destaque de 2015 vai para o café, cuja produção brasileira representa 33% da oferta mundial, afetada pela estiagem nas principais regiões produtoras do País, como Minas Gerais.

PIB agro

Estimativas do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, apontam que, no próximo ano, o agronegócio pode crescer 2,8%. Para 2014, o instituto revisou para baixou a expectativa de crescimento para 2,6%, a serem obtidos com colaboração expressiva do desenvolvimento da produção chamada "dentro da porteira".
Já a CNA avalia um PIB para o setor com crescimento de 3,8% em 2014, "valor quase dez vezes mais alto do que o projetado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) para o acumulado do PIB do Brasil neste ano", diz a entidade, tanto pelo avanço de produção quanto de preços, com ênfase para a pecuária que teve o maior ganho de receita.
"Em 2015 o agronegócio pode ser o grande condicionante do desempenho da economia nacional. Representando 23% do PIB brasileiro, ele pode ser o único setor com crescimento mais expressivo, dado que muitos segmentos da indústria não conseguem avançar e os serviços estão em processo de exaustão", afirmam os analistas do Cepea.

Perspectivas

Conforme publicado no DCI, o ex-ministro da Agricultura e coordenador da GV Agro, Roberto Rodrigues, acredita que o próximo ano não representa um "desastre" para a produção agrícola, mas sim um período de margens de preço mais baixas para as commodities.
"O preço cai e o custo sobe, isso é o que já está acontecendo e é a tendência do que deve permanecer. Alguns produtos, como os grãos, tiveram grandes vendas nos últimos anos e por isso suportam esse descasamento de renda. O que se salva é a carne porque ainda não foi possível recompor o estoque. Se o bovino sobe, o suíno e a ave acompanham", explica Rodrigues.
O sócio consultor da MBAgro, Alexandre Mendonça de Barros, acrescenta que está desenhada uma boa safra de soja, com oferta razoavelmente alta a partir de fevereiro, mesmo com o atraso no plantio. "O milho no Brasil virou um ponto de interrogação e seguramente não é o cenário de folga que a Conab [Companhia Nacional de Abastecimento] projeta, devido ao prejuízo que deve acontecer na segunda safra, justamente pelo atraso da primeira", completa.
"Em vista deste cenário para os grãos, ainda temos que aguardar como o câmbio vai se comportar e buscar produtividade. Além disso, a projeção climática é de muita chuva", disse ao DCI o diretor técnico da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Luiz Nery Ribas, em entrevista exclusiva.

Mercado externo

No acumulado deste ano, a China manteve a primeira posição entre os importadores da produção brasileira. Até novembro, foram vendidos US$ 21,57 bilhões para o país com destaque para o complexo soja. Em segundo lugar ficou os Estados Unidos, seguido por Países Baixos, Rússia e Alemanha, em quinto.
Estimativas da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) indicam que os países asiáticos e do Oriente Médio, como China e Indonésia, são grandes apostas para vendas de proteína animal em 2015.

Fonte original: DCI