Longa espera


Os produtores de soja de São Paulo não param de olhar para o céu. O menor sinal de nuvens no céu é motivo de comemoração. Tamanha preocupação se faz necessária por conta do estágio de desenvolvimento das lavouras. Como o plantio do grão foi atrasado por conta da seca, o clima seco e quente dos últimos 15 dias na região tem gerado preocupação entre os produtores, verificou a Expedição Safra Gazeta do Povo por passagem pelo estado paulista.
“Já tivemos perda de 30% na safra passada por conta da seca. Chover nos próximos dias é fundamental para afastar qualquer risco, pois estamos no ponto critico de enchimento do grãos”, ressalta José Mariano Leme, presidente do sindicato rural de Itaberá, no Sudoeste do estado paulista.
No município de Cândido Mota, outro importante centro produtor de oleaginosa em São Paulo, a situação é semelhante. De acordo com o superintendente da Coopermota, Sandro José Amadeu, a última chuva “geral” na região ocorreu em 5 de janeiro. “Depois apenas chuvas esparsas”, diz.
Os dois mil associados da cooperativa paulista dedicaram 150 mil hectares para a soja. A expectativa é atingir o rendimento de 3 mil quilos por hectare. A colheita está programada para começar no dia 20 de fevereiro, atingindo o pico na primeira semana de março. “Mas deste jeito irá comprometer o potencial das lavouras que esperávamos”, complementa.

Independente da chuva

A pluviosidade registrada nos últimos não faz diferença para parte dos produtores do Sudoeste de São Paulo. O investimento em pivôs tem aumentando consideravelmente na região. Em Itaperá, cerca de 10% dos produtores possuem o sistema de irrigação em suas propriedades, o que equivale a 50% dos 22 mil hectares dedicados ao grão.
Na fazenda Catingueiro, gerenciada por José Oiraziu Preira, a produtividade de 3,8 mil quilos está garantida. A propriedade conta com sete pivôs que trabalham a noite inteira para garantir água as plantas espalhadas pelos 1 mil hectares de soja e 450 de milho. No cereal, a produtividade será de 12 mil quilos por hectare.
“O pivô faz a diferença. Com ele conseguimos fazer duas lavouras e meia por ano”, diz o gerente. “Nossa intenção é colocar outras para cobrir quase 100% da propriedade”, complementa.

Fonte original: Agrolink