Economia de água


No interior de São Paulo, a seca histórica obriga os agricultores a economizar água por causa do risco de colapso no abastecimento. Quem depende da irrigação tem que procurar soluções se quiser manter o nível da produção.
A produção de frutas e verduras teve que ser reduzida pela metade no sitio do agricultor Doraci Godinho. Só assim ele consegue irrigar a plantação mesmo com a queda de mais de dois metros no nível dos rios que abastecem o município de Piedade, uma das mais importantes regiões agrícolas de São Paulo.
“A lavoura precisava de mais água, mas agora não tem jeito, tem que economizar o que pode”, constata o agricultor.
Em outubro do ano passado, as bombas para irrigação chegaram a ser lacradas para reduzir o consumo.
“É trabalho de formiguinha mesmo e fazer o produtor ter consciência do uso racional desta água”, diz o diretor de agricultura Osmar Borzacchini.
Um dos pedidos é a mudança na forma de irrigação. A maioria usa o sistema de aspersão, onde a água molha tudo em torno do equipamento, inclusive o que não precisa.
De acordo com o último levantamento da Agência Nacional de Águas (ANA), a irrigação é a atividade que mais usa água no Brasil. Ao todo, 72% de toda a água consumida no país vão para o solo das plantações. Por isso, reduzir o consumo no campo é fundamental para manter o nível dos rios e reservatórios.
Nem parece, mas toda uma plantação com 50 mil pés de morango está sendo irrigada. A diferença é que a água vai para onde a planta mais precisa: para a raiz. Nada de milhares de litros de água, apenas gotas, sem nenhum desperdício.
Mangueiras com pequenos furos instaladas embaixo dos pés de morango pingam gotas por 20 minutos, dia sim, dia não. A produtividade, de 50 mil caixas por safra, é a mesma do sistema tradicional – o da aspersão – só que com 50% de economia de água.
“Este é um sistema em que você aproveita 100% da água. Ela não corre, não tem perda nenhuma. Se o produtor não souber usar a água, vai faltar. Não dá para desperdiçar”, alerta um produtor.
Esse produtor disse também que recupera o gasto para implantar o novo sistema de irrigação em um ano.

Fonte original: Ambiente Brasil/G1