Frango paulista


No dia 22 de janeiro, às vésperas de completar 50 dias sem qualquer alteração na sua cotação, o frango vivo negociado no interior paulista perdeu a já frágil sustentação que vinha obtendo e sofreu a primeira redução de cinco centavos do ano.
As transações, assim, se desenvolveram dentro de um valor referencial máximo de R$2,30/kg, o que significa dizer que, apesar da baixa, negócios a preços inferiores continuaram sendo realizados.
Uma vez que o fim do mês se aproxima – e, portanto, inexiste qualquer chance de reversão do mercado – permanece a tendência de novas baixas. Que, se ocorrerem, irão fazer com que os preços apresentem queda ainda superior aos 4,17% ora registrados em relação ao mesmo dia do ano passado.
Essa perspectiva – ressalte-se – é absolutamente diferente daquela observada em Minas Gerais onde, em mercado firme, o frango vivo segue cotado a R$2,55/kg, obtendo agora remuneração perto de 11% superior à dos paulistas.
Mas por que esse comportamento em direções opostas se, nas duas praças, as condições de produção são muito similares?
Na verdade, um desses mercados tornou-se diferente. Hoje, só o de Minas Gerais pode ser considerado “independente” – aquele em que o avicultor produz por espontânea vontade sabendo que, lá na frente, estará sujeito às condições de venda do dia, o que inclui preço e comprador.
Não que os “independentes” tenham desaparecido do mercado paulista. Mas, com a expansão das integrações, seu número reduziu-se. E, dos poucos que ficaram, a maioria produz para compradores pré-definidos. Em inúmeros casos, chegam a estabelecer remuneração final com pequeno adicional em relação à cotação do dia.
Em outras palavras, o grosso do mercado paulista independente de frangos vivos é composto, hoje, por produto oriundo de integrações. Que utilizam esse mercado como forma de manter a estabilidade do frango abatido e, por isso, não têm maior compromisso com o preço da ave viva.
Pena somente que, apesar de sua inexpressividade crescente, o mercado independente paulista continue sendo referência de preços nacional. Como tal, baliza não só os preços de outras regiões do País mas também – e sobretudo – os preços que os varejistas se dispõem a pagar no atacado.
Ou seja: enquanto o frango vivo permanecer subvalorizado, será difícil ou impossível obter remuneração mais justa para a ave abatida.

Fonte original: Agrolink