A SECA E A UVA


A seca prolongada que atinge o Estado de São Paulo e trouxe prejuízos para várias culturas em diversas regiões, não significou necessariamente perdas para todos os agricultores. Ao contrário do que muitos imaginam, pelo menos para um dos diversos setores agrícolas, a falta de chuva trouxe grande benefício. É o caso daqueles que apostaram no plantio de uva para indústria do vinho. Todos que direcionaram a safra para as indústrias da nobre bebida, comemoram uma safra de ótima qualidade. Além da quantidade produzida ter sido mantida em relação ao mesmo período do ano passado, a fruta colhida é de ótima qualidade. Com o inverno e o verão mais secos, houve redução de pragas e a fruta apresentou menor acidez - ficou mais doce - propicia para a produção do vinho.
Por outro lado, curiosamente, produtores que investiram no plantio da mesma fruta para o consumo de mesa, contabilizam as perdas por conta da estiagem.
"Com a uva mais doce, o vinho atingiu qualidade superior aos das safras passadas", atesta o produtor de uva e de vinho de São Roque, Cláudio Góes, que teve a safra favorecida pela estiagem.
De acordo com a assessoria de imprensa da Vinícola Góes, a seca aconteceu no tempo certo. "A falta de chuva contribui na maturação do fruto e pela 1ª vez em 22 anos, uma empresa paulista garantiu excelente avaliação por parte da Associação Brasileira de Enologia", informa.

Queda na produção

Enquanto produtores de São Roque festejam a safra de ótima qualidade, a menos de 100 quilômetros de distância, em Porto Feliz, produtores de uva contabilizam as perdas provocadas pela estiagem. De acordo com um dos pioneiros no plantio de uva no município, Antônio Portronieri, o Toninho da Uva, a queda na produção é de aproximadamente 30%.
"Para você ver como é a agricultura. Enquanto nossos vizinhos comemoram, nós amargamos o prejuízo. Não foi um ano bom para os produtores locais porque a maioria deles, 90%, apostaram na produção de uva para o consumo de mesa. Com a seca e clima muito quente, a florada caiu antes da hora e houve sensível queda na produção", explica Portronieri.
Atualmente, existe 180 produtores de uva em Porto Feliz, que plantam aproximadamente 400 hectares. "Pelo menos 10% registrou perda total", cita o produtor que também comenta a diferença climática entre São Roque e Porto Feliz. "Embora estejamos na mesma região, lá eles têm um clima de serra, com temperaturas mais baixas, o que favorece a cultura da uva. Aqui, por conta do tipo de produto, nós precisamos de um pouco mais de frio e mais de chuva para atingirmos nossas metas", explicou o produtor.

Vindima

São Roque encerra no próximo domingo, a 9ª edição da colheita da uva, que comemora a colheita da safra e é chamada de Vindima. Um filme apresentando a história da vinícola é exibido ao visitante. Após isto, o visitante tem a oportunidade de seguir até o parreiral. Durante o trajeto, realizado em um trenzinho aberto, curiosidades sobre a colheita e plantio de uvas em São Roque são contadas de maneira informal.
Chegando ao parreiral, os visitantes colhem as uvas direto da videira, que posteriormente são levadas para uma grande tina. Após a colheita, já na fábrica, todo o processo da elaboração do vinho é desvendado. O enólogo Fábio Góes é quem desmitifica os segredos e tira dúvidas sobre os produtos.
Depois dos processos tecnológicos de fabricação do vinho, os visitantes mergulham em um resgate das tradições, realizando a pisa da uva que acabaram de colher. Dentro da tina, e ao som de música italiana, todos participam da pisa.
Para participar ou obter mais informações sobre o evento, como valores dos passeios, é preciso entrar em contato pelo telefone (11) 4711-3500 ou site: www.vinicolagoes.com.br, e fazer a reserva. Há limite de vaga.

Fonte original: Portal Agrolink