EM BAIXA


Afetada pela queda dos preços das commodities no mercado internacional e pela desaceleração da economia chinesa, entre outros fatores, a balança comercial brasileira registrou déficit de US$ 2,842 bilhões em fevereiro, o pior resultado para o mês desde 1980, quando o governo iniciou a atual série histórica. As exportações somaram US$ 12,092 bilhões, e as importações, US$ 14,934 bilhões. No acumulado do ano, houve saldo negativo de US$ 6,016 bilhões, ante US$ 6,196 bilhões no primeiro bimestre de 2014.
Segundo o diretor de Estatística e Apoio à exportação do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Herlon Brandão, houve reduções de 48,6% e 19,7%, respectivamente, nos preços do minério de ferro e da Soja, que estão entre os produtos com maior queda em embarques para a China. O país é o principal comprador de produtos básicos do Brasil. Enquanto as vendas brasileiras para os EUA estão se recuperando, com alta de 8,9% em relação a fevereiro do ano passado, as exportações para a China tiveram queda de 40,2%.
No caso da Soja, problemas climáticos levaram ao atraso na colheita, o que contribuiu para a piora do total exportado. Na avaliação de técnicos da área de comércio exterior do governo, a perspectiva é de melhora nos embarques do produto nas próximas semanas.
De acordo com Brandão, ainda é cedo para determinar se o protesto de caminhoneiros já causou impacto significativo na balança comercial. A média diária exportada na semana passada, de US$ 616 milhões, foi a menor do mês, mas ele ponderou que outros fatores podem ter afetado o resultado.
- A média das exportações da última semana de fevereiro foi inferior às três primeiras. É efeito pequeno e não foi sentido nos dados agregados, mas há relatos setoriais de que o movimento pode ter dificultado o fluxo de mercadorias - disse ele.
Em fevereiro, houve redução dos embarques dos três principais tipos de produtos: de 22,7% para básicos; 11,1% em manufaturados; e 2,3% no caso de semimanufaturados. Entre as maiores quedas, destacam-se as que ocorreram em Soja em grão (72,2%), minério de ferro (35,7%), açúcar refinado (19,9%) e açúcar em bruto (44,6%).
Como reflexo da baixa atividade econômica, as importações caíram: combustíveis e lubrificantes recuaram 20,3%; bens de capital, 8%; bens de consumo, 6,8%; e matérias-primas e intermediários, 3%. No segmento de bens de consumo, as maiores baixas foram registradas em eletrodomésticos, automóveis, bebidas e tabaco.
Os EUA foram os principais compradores de produtos brasileiros no mês passado, com uma parcela de US$ 1,791 bilhão no total de divisas. A China ficou em segundo lugar, seguida por Argentina, Países Baixos e Alemanha.

MONTEIRO: SALDO SERÁ POSITIVO

Entre os principais mercados fornecedores de produtos para o Brasil, os chineses ficaram na primeira posição, com US$ 2,769 bilhões. Os EUA assumiram o segundo lugar, seguidos por Argentina, Alemanha e Nigéria.
Em evento na Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), o ministro do Desenvolvimento, Armando Monteiro, disse que a balança deve fechar o ano no azul.
- Vamos ter uma balança positiva neste ano graças ao efeito câmbio, à perspectiva de retomada do mercado americano e à conta Petróleo que vai gerar um déficit menor - afirmou.

Fonte original: O Globo