Medidas drásticas


Com o volume de chuvas de fevereiro acima da média esperada para o mês, a Sabesp deixou de captar água do segundo volume morto do Sistema Cantareira. Mesmo assim a secretaria estadual de Agricultura anunciou ontem medidas para minimizar os efeitos da Estiagem sobre a produção.
A pesquisa para culturas mais resistentes a estresse hídrico, revisão de equipamentos de irrigação, linhas de financiamento para modernização dos equipamentos e perfuração de poços artesianos, além da recuperação da Mata ciliar são as medidas que devem surtir efeito no médio prazo. "É fundamental que a população como um todo - e o agricultor especialmente - entendam que a crise hí- drica não é momentânea: a seca de 2014 é um fenômeno climático que se apresentará cada vez mais agudo", disse o secretário de Agricultura Arnaldo Jardim.
Segundo ele, a falta de disponibilidade hídrica no Brasil é reflexo das mudanças climáticas e é preciso se preparar para conviver com essa nova situação. Por isso, disse, as medidas anunciadas fazem parte dessa nova realidade. "A Agricultura não será mais a mesma e, por isso, deve-se repensar procedimentos, rever métodos de produção e tratar a água como um bem finito e de absoluta racionalidade", afirmou Jardim.
Das medidas anunciadas, apenas as ligadas aos equipamentos de irrigação terão efeito imediato. "A Câmara de Irrigação da Abimaq iniciou uma força- tarefa para fiscalizar e calibrar os equipamentos de irrigação",disse Jardim. A secretaria disponibilizou uma linha especial de financiamento para a modernização desses maquinários. O prazo é de oito anos, com taxa de 3% ao ano.
Paralelamente, o Instituto Agronômico de Campinas (IAC) estuda novos cultivares que tenham maior produtividade em função da disponibilidade hídrica menor. "Os resultados foram satisfatórios para um tipo de feijão que consome menos água e mantém a mesma produtividade", disse.
A outra medida diz respeito ao programa de recuperação das nascentes de água. O estado já tem projetos-piloto em Botucatu e Holambra. E também o Programa de Regularização Ambiental (PRA), sancionado em meados de janeiro pelo governador Geraldo Alckmin, que é a "adaptação" do processo de implantação do novo Código Florestal que cabe aos estados. Nele, os proprietários de terra terão de fazer recomposição de Mata ciliar e de reserva legal.
O secretário reconhece que o agronegócio paulista já sofre as consequências da Estiagem com a redução da safra da cana e da produção de grãos. Mas afirmou que apenas no decorrer de março será possível definir um quadro mais claro. Ele não descarta medidas drásticas, como restringir a irrigação se a situação de agravar.

Fonte original: Brasil Econômico