Chuvas de outono


O clima no Centro-Sul continua sendo um dos principais fatores no mercado de açúcar e etanol, sendo inclusive uma das variáveis pressionando mais fortemente as cotações internacionais do Demerara. Grande parte da apreensão se deve ao temor de repetição de 2014/15, quando houve forte quebra agrícola em algumas regiões devido à falta de chuvas na maior parte do Centro-Sul, atingindo de forma mais intensa o estado de São Paulo.
Até o final de 2014 tudo indicava que estes temores se confirmariam, a temporada chuvosa começou com muito pouca intensidade entre setembro e novembro daquele ano, já prejudicando o desenvolvimento da cana para safra seguinte. Meteorologistas apontavam que as mesmas regiões que mais sofreram com a seca em 2014/15 (Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, etc.) voltariam a sofrer stress hídrico o que, combinado ao envelhecimento dos canaviais, menos cana bisada e menos usinas em operação, poderia derrubar ainda mais a moagem.
Estas previsões, porém, estiveram erradas quase que totalmente. As chuvas se recuperaram em volume suficiente para melhorar significativamente as expectativas de produtividade para esta safra em grande número de usinas e plantações independentes. Para os próximos meses, porém, paira a dúvida se as chuvas vão dar alívio quando a safra começar, uma vez que grande precipitação ao longo do período de colheita significa mais dias com usinas paradas, menor moagem, maiores custos e piora na qualidade da matéria prima.

Condição dos canaviais

A maioria dos especialistas concorda que houve dano aos canaviais pela seca vivida até novembro do ano passado, principalmente para a cana de primeiro corte (proporção cada vez menor das plantações). Apesar disso, esta maioria também concorda que o período mais importante para o desenvolvimento das plantas se dá entre dezembro e março.
Dezembro foi um mês muito chuvoso e, apesar de janeiro ter sido relativamente seco, fevereiro e março (até o momento) têm sido mais chuvosos que a média dos últimos anos. Apesar da totalidade da precipitação na maior parte da região Centro-Sul continuar um pouco abaixo da média (considerando o período outubro-março), este volume é considerado mais do que suficiente para garantir um bom desenvolvimento da planta.
Mesmo considerando apenas 2015, algumas importantes regiões do estado de São Paulo tiveram apenas entre 60% e 80% da pluviosidade normal para esta época do ano. Mas este fenômeno foi mais localizado e menos intenso que em 2014. No ano corrente a maior parte do Centro-Sul recebeu precipitação próxima ou superior à média para a época, principalmente o Mato Grosso do Sul, oeste de São Paulo e algumas áreas de Goiás e Paraná.
As chuvas no estado de São Paulo, mais prejudicado pela seca na entressafra passada, foram muito mais intensas no período pelo qual estamos passando. Com isso, a possibilidade de quebra no estado diminuiu significativamente.
Já a umidade do solo apresentou uma mudança significativa entre uma safra e outra quanto ao impacto das chuvas na condição do terreno. Enquanto a seca de 2014 levou muitas áreas a situação de déficit grave e extremo de água, em 2015 praticamente toda a região canavieira apresenta condição boa ou excelente. Inclusive, grandes áreas apresentam solo com leve excesso de água ou até situação de saturação.
Estes dados mostram claramente que os canaviais não precisam realmente de pluviosidade dentro da média para se desenvolver, ou seja, apenas grandes diminuições na pluviosidade podem prejudicar a produtividade agrícola.
A combinação de todos estes fatores levou o índice de saúde da vegetação, que mede a situação média das plantações e matas nativas de uma determinada região, do estado de São Paulo para entre 48 e 60, condição considerada boa. Paraná e Mato Grosso do Sul também apresentam a mesma situação. Goiás e Minas Gerais ainda apresentam situação um pouco pior, mas, no caso deste último, ainda assim está melhor do que na mesma época do ano passado.

Fonte: Consultoria INTL FCStone