As lideranças por trás do agronegócio


No geral, os atributos essenciais para um executivo em cargo de CEO, CFO, presidência ou vice-presidência nos mais variados setores, são bem conhecidos. Empresas querem líderes com experiência e histórico de bons resultados financeiros; conhecimento de todas as áreas de uma companhia como vendas, marketing e finanças; capacidade de gerenciar bons times; e coragem de empreender mudanças mesmo quando tudo está bem.
No Agronegócio, o clima, o câmbio e preços dos commodities fazem com que essas atribuições da presidência mudem dramaticamente. "Para começar, no agronegócio lidamos com commodities. O preço da soja, café, açúcar, carne, leite, suco de laranja, são bastante voláteis", explica Joseph Sherman, diretor no Brasil da Kincannon & Reed, empresa de recrutamento de altos executivos dos setores de agronegócio, alimento, pesquisas e ciências de vida. "O fator câmbio também é determinante na área e oscila bastante. São dois fatores que um executivo deve conhecer muito bem para gerenciar os riscos", avalia.
Um presidente de uma indústria que processa soja, por exemplo, precisa ter larga experiência em trading e análise de riscos: câmbio e preço dos commodities. "Empresas do setor têm falido por causa da especulação", diz Sherman. "Por isso, à frente delas, é necessário um líder que tenha muita informação e experiência".
Gerenciamento de crédito também é um fator relevante para o CEO de agro, já que se vende insumos no plantio e o comprador paga somente na colheita. São quatro meses entre a compra e a colheita, durante os quais muito pode acontecer. Se o preço sobe, há o risco da não entrega. "Por isso, gerenciar crédito no Brasil é muito importante, pois os principais problemas de crédito e renegociação vão parar na mesa do presidente", explica Sherman. "A direção também deve tomar decisões baseadas em um altíssimo conhecimento econômico de flutuação cambial".
O fator clima como seca, pragas, ou produção menor exigem informações sofisticadas de especialistas em meteorologia e estudo de campo, que devem estar acompanhadas de perto pelo CEO, que avalia como isso afetará o preço.

Cenário do Agronegócio no Brasil

A área agrícola no Brasil é recente. A soja começou nos anos 70. Nos anos 80 e 90 não existiam pessoas experientes entre os traders e vinham profissionais de fora. Hoje não é mais assim. Muitos brasileiros foram para o exterior para serem treinados, voltaram, e formaram seus próprios profissionais. "Foi-se o tempo em que os presidentes do agronegócio eram estrangeiros", afirma Sherman. "Hoje são todos brasileiros".
Mas são poucos. Achar pessoas experientes especialmente na área de comércio internacional ainda é um desafio constante quando tem procura no mercado. E como não existe faculdade sobre administrar um setor tão heterogêneo como o agro, os profissionais precisam persistir na carreira. "Trading você aprende na prática. E sempre haverá cadeiras da presidência disponíveis para quem atingir esses patamares de conhecimento", finaliza Sherman.