Mata Atlântica


A árvore do Cambuci, que já cobriu as encostas da Mata Atlântica do Sudeste, em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, e hoje faz parte da lista vermelha das espécies ameaçadas de extinção da IUCN (International Union for Conservation of Nature), vem revelando uma nova história de resgate com a união em rede de produtores, parceiros, sociedade civil e poder público, que visam recuperá-la.
Calcula-se que existam mais de 200 produtores de Cambuci com plantações nas bordas de São Paulo, em municípios entre o Vale do Ribeira e o Vale do Paraíba.
Para reverter a situação de ameaça do Cambuci, propiciando o desenvolvimento da produção do fruto, o Instituto Auá realizará o Seminário Agroecológico da Cultura do Cambuci, com o objetivo de reunir o conhecimento científico atual e os saberes dos produtores aplicados ao campo. Acontece no próximo dia 26 de agosto, entre 9h e 18h, no SESI de Mogi das Cruzes (R. Valmet, 171).
“Queremos unir a pesquisa, a assistência técnica e o produtor, somando esforços para melhor produzir, beneficiar e comercializar o Cambuci. Ao final, teremos um debate com encaminhamentos para contribuir com o dia a dia do agricultor, a ideia é unificar a linguagem e mostrar onde estamos e onde queremos chegar”, esclarece Hamilton Trajano, técnico agroecológico da Rota do Cambuci, do Instituto Auá, e organizador do evento.
Na prática, a Rota do Cambuci, por meio do Arranjo Produtivo Sustentável, vem promovendo o cultivo do fruto em áreas do domínio da Mata Atlântica, especialmente o entorno da Serra do Mar Paulista, possibilitando sua recuperação em regiões antes disputadas pelo pasto ou eucalipto.
O seminário irá unir a cadeia produtiva ligada ao fruto da Mata Atlântica, como técnicos, universidades e órgãos de apoio técnico e científico, setor industrial de alimentos e cosmética e interessados em fruticultura nativa agroecológica.
A troca de conhecimento pretende enfrentar desafios observados atualmente no campo, como o baixo desempenho da produção pelo manejo inadequado, observado em espaçamentos irregulares nos plantios, adubações deficientes e produção de mudas com pouco conhecimento técnico, além dos ataques de insetos como brocas e moscas que já resultam na perda de produção.
Entre os temas de destaque que refletem o estado da arte da pesquisa com Cambuci estarão os resultados do estudo em laboratório de insetos que atacam a cultura, descobertas sobre a produção de mudas e informações fundamentais sobre a polinização por abelhas nesta cultura que implicam na conservação da própria Mata Atlântica. Um dos pontos altos do Seminário é também a apresentação da pesquisa da USP sobre os excelentes resultados no uso do Cambuci para o tratamento da Diabete.
O seminário é gratuito e aberto ao público, e serão emitidos certificados somente com inscrição prévia pelo e-mail rotadocambuci@aua.org.br

Programação

08:00 às 09:00 – Recepção, inscrições
09:00 às 09:45 – Mesa de Abertura Ondalva Serrano – Agrônoma e Conselheira do Instituto AUÁ Marina Merlo Sampaio de Campos – Bióloga especialista em Gestão Ambiental, Mestre em Biodiversidade Vegetal e Meio Ambiente – TNC (The Nature Conservancy) Luiz Eduardo Camargo – Gestor social do Instituto ATÁ
09:45 às 10:15 – Apresentação Rota do Cambuci e o Arranjo Produtivo Sustentável Gabriel Menezes – Coordenador Geral da Rota do Cambuci – Instituto Auá Hamilton Trajano – Gestor do Arranjo Produtivo Sustentável do Cambuci – Instituto AUÁ
10:15 ás 10:30 – Coffee Break
10:30 às 11:15 – Aspectos Práticos e Teóricos da Produção de Mudas Nativas Cláudia Mascagni Vigilato Prudente – Mestre em Agronomia pela UNESP e Bióloga da ONG Capivari-Monos
11:15 às 12:00 – Manejo Ecológico da Fruticultura José Augusto Maiorano – Agrônomo, Mestre em Recursos Agroambientais e Extensionista da CATI Campinas
12h – 13h30 – Almoço
13:30 às 14:15 – Controle Natural de Insetos e Doenças na Cultura do Cambuci Hélio Minoru Takada – Agrônomo, Doutor e Pesquisador Científico da APTA Regional Vale do Paraíba
14:15 às 15:00 – Boas Práticas de Pós colheita e Beneficiamento do Cambuci Ana Carolina Almeida Miguel – Agrônoma e Doutora em Pós-Colheita pela ESALQ/USP Angelo Jacomino – Agrônomo e Doutor em Tecnologia de Pós-Colheita pela ESALQ/USP
15:00 às 15:45 – Polinização da Cultura do Cambuci Guaraci Duran Cordeiro – Doutor em Entomologia e Zootecnista pela USP
15:45 as 16:00hs – Coffee Break
16:00 às 16:45 – Potencial Medicinal da Fruta do Cambuci para Diabetes Renata Luise de Araújo – Nutricionista, Mestra em Ciência dos Alimentos e Doutoranda em Ciência dos Alimentos pela USP Carlos Mario Donado Pestana – Engenheiro Agroindustrial, Mestre em Ciência dos Alimentos e Doutorando em Ciência dos Alimentos pela USP
16:45 às 17:10 – Encontros Sebrae – Legalização do Produtor Rural Ariane Teixeira Lima Canellas – Mestra em Agronomia e Consultora do Sebrae SP
17:10 às 17:25 – Os desafios para o desenvolvimento da Cultura do Cambuci Benedito Roberto de Souza “Gato” – Produtor e beneficiador de Cambuci em Salesópolis
17:25 às 18:00 – Encaminhamentos e considerações finais

Fonte original: assessoria de imprensa