Crise da água


Diante da estiagem e dos baixos níveis de água no Sistema Cantareira, o Comitê da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê (CBH-AT) aprovou um documento com propostas de ações para o curto, médio e longo prazo, envolvendo desde o consumo dos cidadãos em suas casas até as prefeituras e o Governo Estadual.
O texto aprovado pelo plenário do CBH-AT traz quatro recomendações:
- Os órgãos gestores de recursos hídricos – DAEE (Departamento de Águas e Energia Elétrica) e ANA (Agência Nacional de Águas) – devem avaliar a forma mais adequada de adoção de um gerenciamento especial nesta situação de crise, mediante rigoroso e permanente monitoramento da situação hidrológica e das previsões meteorológicas, com vistas à administração dos volumes, descargas do Sistema Cantareira e do uso da água, de forma a priorizar o abastecimento público com riscos isonômicos às regiões atendidas.
- Os prefeitos e presidentes de Câmaras Municipais da área de atuação do CBH-AT deverão ser alertados para adotar medidas com vistas à redução do consumo, inclusive com leis e ações de fiscalização que permitam a aplicação de sanções para os casos de desperdício.
- As entidades da Sociedade Civil representadas no CBH-AT e a mídia deverão ser notificadas, com o objetivo de se buscar a adesão maciça da sociedade a um esforço na redução do consumo de água.
- O Governo do Estado de São Paulo deve decidir sobre os arranjos propostos nos estudos no Plano Diretor da Macrometrópole Paulista e implementar as medidas subsequentes, com a perspectiva de planejamento de curto, médio e longo prazo. Em paralelo, deve-se incluir um plano permanente de gestão de demanda para toda a região crítica identificada nos estudos da macrometrópole, tendo em vista, principalmente, campanhas contínuas de prevenção e a efetiva redução das perdas e da pressão sobre o consumo de água.
O presidente do CBH-AT e prefeito de Embu das Artes, Chico Brito, reforça que é preciso buscar soluções definitivas para o suprimento hídrico. “Não podemos ficar o tempo inteiro convivendo com problemas desse tipo, sempre no limite, e contando com a sorte e a ajuda de São Pedro. É impossível pensar no desenvolvimento da Região Metropolitana de São Paulo trabalhando sempre no limite de reservas dos recursos hídricos. E todos têm suas responsabilidades: cidadãos, prefeituras e Governo Estadual. As campanhas para reduzir o consumo não devem ocorrer somente em um momento de crise, como agora. Elas devem ser permanentes”, afirma.
O CBH-AT está envolvido nas discussões para a renovação da outorga do Sistema Cantareira, que deve ocorrer até agosto e definirá os novos termos em que se dará o envio de água do interior paulista para abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo.
De acordo com o secretário do Comitê e representante da Secretaria de Estado de Saneamento e Recursos Hídricos, Rui Brasil Assis, “a solução do conflito da água só se efetivará com uma cooperação entre as regiões e ênfase nos programas de gestão da demanda, além dos investimentos necessários”.
O vice-presidente do Comitê e diretor adjunto de Meio Ambiente da Fiesp, Francisco Além, enfatizou que as indústrias estão fazendo a sua parte e é preciso que todos os setores também se comprometam. “A maioria das indústrias investe continuamente no aprimoramento de programas de reuso de água, sendo que muitas delas já estão com o circuito fechado, sem a necessidade de captar água”, disse.