Campo no Campus 2014


José Luiz Tejon e Coriolano Xavier, coordenadores do Núcleo de Agronegócio da ESPM, lideraram o primeiro evento Campo no Campus 2014, que aconteceu no último dia 18 e teve como tema o Marketing no setor de Hortifruti, na sede da ESPM, em São Paulo. Tejon, recentemente nomeado conselheiro estratégico da Câmara Agrícola Lusófana, de Portugal, e Coriolano Xavier estão desenvolvendo, de forma inovadora, o conceito de Biomarketing. “A proposta é apresentar um passo além do agronegócio em si e a flagrante necessidade de considerar a vida como eixo central de todos os sentidos nos negócios e nas ações”, dizem os especialistas.
A agrossociedade, segundo os professores, é o que define o futuro das organizações saudáveis dentro de todas as cadeias produtivas de alimentos, bebidas, fibras, energia e derivados do campo.
Na abertura do evento, realizado pela ESPM e ABMR&A, com patrocínio da Andef, Márcio Milan, vice-presidente de Relações Políticas e Institucionais da Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS) e diretor de Relações Governamentais do Grupo Pão de Açúcar, apresentou o projeto RAMA – Rastreamento e Monitoramento de Alimentos, baseado no Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA), da Anvisa. O RAMA foi criado especialmente para rastrear e monitorar o uso de agrotóxicos nas Frutas, Verduras e Legumes (FLV) comercializados pelas mais de 80 mil lojas do setor, espalhadas por todo o País.
Com o apoio da empresa especializada PariPassu, responsável pelas coletas e análises técnicas, o RAMA teve início em Santa Catarina e Rio Grande do Norte, mas está programado para abranger todos os Estados, por meio da sinergia de ações com todas as Associações Estaduais de Supermercados. “O programa permite ao supermercadista monitorar os alimentos in natura, por meio de análises de resíduos de agrotóxicos realizadas com amostras de FLV recolhidas em loja e também por rastreabilidade dos produtos (cadastro/controle dos produtores/fornecedores), maior precisão na identificação da origem dos problemas de uso excessivo ou incorreto de agrotóxicos na produção e, consequentemente, um plano de ação para solucioná-los”, lembrou Milan.
Giampaolo Buso, CEO da PariPassu, ressaltou que o RAMA faz o elo entre os vários elos da cadeia produtiva - produtores, distribuidores, varejo até o consumidor - orientando, organizando ações e medidas de procedimentos para contar a história dos produtos, além de coletar amostras dos mesmos, enviá-las ao laboratório para análise e, com o resultado em mãos, registrar os dados no sistema para que a política de correção seja implantada o mais rápido possível. “Com o tempo notamos que o processo evolui e os produtores vão melhorando seus resultados”.
Em seguida, Erivaldo Pietri, especialista em pesquisa de mercado da Macrosistema, apresentou um perfil e as necessidades do olericultor paulista, estudo desenvolvido com o apoio do Sebrae-SP. Por meio de um questionário aplicado a 600 produtores de 30 culturas diferentes, no período de novembro de 2012 a maio de 2013, em propriedades com até 100 hectares ou 41,3 alqueires, o objetivo foi delinear o perfil e as necessidades dos negócios rurais, voltados à produção e oferta de olericultura, com vistas a identificar os pontos fortes e fracos, as ameaças e oportunidades, com foco na gestão, comercialização, tecnologia, inovação, empreendedorismo e produção. Segundo Pietri, entre os destaques da pesquisa pode-se dizer que o olericultor paulista é predominantemente do sexo masculino, tem pouca escolaridade, renda anual de cerca de R$ 60 mil, mais da metade são donos das propriedades e a maioria tem dificuldades de conseguir financiamento para suas lavouras. “Ele compra e vende fiado e sem capital de giro é difícil aplicar novas técnicas de manejo”, afirmou.
O evento contou ainda com apresentações de pontos de vistas dentro do desafio para uma agenda construtiva de rastreabilidade e varejo no campo com especialistas como o diretor presidente do Instituto Brasileiro de Horticultura (Ibrahort), Carlos Augusto Schmidt, Moacir Fernandes e Marilise Soares (presidente do Instituto Brasileiro de Fruticultura - IBRAF e secretária de Agricultura de Jarinu), Anita Gutierrez (Chefe do Centro de Qualidade em Horticultura/Ceagesp), Eduardo Daher, diretor executivo da Associação de Defensivos Agrícolas (Andef), Waldir de Lemos, presidente da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Hortaliças, Marcelo Rodrigues Pacotte, secretário executivo da Associação Brasileira do Comércio de Sementes e Mudas (ABCSEM) e o vice-presidente da Associação Brasileira de Marketing Rural & Agronegócio, Marcelo Maniero Ismael.
Geraldo Alonso Filho, diretor do Instituto Cultural ESPM e pioneiro na implantação de cursos na escola sobre o estudo de marketing voltado ao agronegócio no país finalizou o evento trazendo uma novidade: “Acabamos de fazer um acordo com o Nantes, da França, para um MBA de Marketing no Agribusiness.”