Soja ampliada


Despertados pela última crise do setor, em 2011, os arrozeiros do sul do país aceleraram a rotação do cultivo com a soja. Já são 300 mil hectares de áreas de várzea na Metade Sul que abriram espaço para a oleaginosa entrar e melhorar a produtividade das lavouras.
"O monocultivo do arroz fechou um ciclo. Se existem outras alternativas para essas áreas, como soja, pecuária e até mesmo milho, é preciso diversificar para ficar menos vulnerável e conseguir maior competitividade", explica Enio Marchesan, pós-doutor na área de arroz e professor do Departamento de Fitotecnia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).
Para Marchesan, a grande evolução ocorreu no momento em que os arrozeiros perceberam que com tecnologia e manejo do solo adequado é viável investir em outras culturas nas áreas de várzea e que proporcionam ganhos consideráveis nos rendimentos.
"Na rotação, o produtor consegue reduzir a incidência de arroz vermelho e melhorar a estrutura do solo", destaca o professor.
As lavouras de arroz plantadas em cima de áreas cultivadas com soja no ano anterior chegam a ter um aumento de 15% na produtividade, conforme dados do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga).
"Além dos benefícios da integração, com fixação de nitrogênio e redução de ervas daninhas, a rotação com a soja representa uma alternativa de renda para os arrozeiros", completa Henrique Dornelles, presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz-RS).
Não é em todas as regiões do Estado que a rotação do arroz com a soja tem alcançado bons resultados. Em solos com teor alto de argila e clima com períodos de estiagem maior, como Uruguaiana, Quaraí e Alegrete, o cultivo da oleaginosa é mais complexo. A dobradinha vem agradando os produtores em municípios do Sul, como Santa Vitória do Palmar, Mostardas e Camaquã, e da região Central, como Restiga Seca e Agudo.