Ainda favoráveis


Com a forte estiagem que o país vem enfrentando nos últimos meses, a quebra das safras agrícolas tem sido um agravante para os produtores rurais em todo o país. A maior intensidade está no Sul, Sudeste e Centro-Oeste, e a falta de umidade e o solo seco afetam não só os grãos, mas também as hortaliças, os pastos, o gado e as demais variedades.
Mesmo em meio a tantas dificuldades, o agronegócio continua sendo o principal responsável pelo superávit da balança comercial brasileira.“A CONAB (Companhia nacional de Abastecimento), tem como estimativa inicial de colheita de soja este ano superar os 90 milhões de toneladas, ultrapassando assim os EUA e atingindo o primeiro lugar na produção de soja mundial. Com a estiagem, esses dados podem não se confirmar”, afirma Narciso Barison Neto, presidente da Associação Brasileira de Sementes e Mudas (ABRASEM).
“No milho, a estimativa é que esse ano o Brasil possa colher 80 milhões de toneladas, sendo que aproximadamente 55 milhões devem ser destinadas ao consumo e o excedente, destinados a exportação. Com esses dados, esperamos manter a posição de segundo maior exportador do mundo”, acrescenta Neto.
O presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho(ABRAMILHO) e ex-Ministro da Agricultura Alysson Paolinelli também avalia que não será necessário importar grãos, mas comenta que os preços e a qualidade das safras estarão comprometidos. “Os produtores que trabalham com sementes transgênicas têm tido mais sorte, mas, mesmo assim, sofrem com o forte calor. Esperamos ter, em breve, alguma solução genética e a liberação de novas sementes tecnológicas que possam resistir à seca”, comenta. Os EUA trabalham para que grãos resistentes às altas temperaturas já estejam disponíveis no mercado até 2017. A intenção é possibilitar mais qualidade aos produtores e melhores condições de plantio, evitando, assim, desperdícios.
A estiagem começou em outubro, se intensificou no mês de janeiro e início de fevereiro. Nessa situação, 2014 se tornou um ano atípico e registrou, como exemplo, um volume de água 70% abaixo do esperado somente em São Paulo. O Estado do Mato Grosso é o único que, mesmo com dificuldades, tem conseguido resistir as fortes temperaturas.