Índice de confiança


O Departamento de Agronegócio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Deagro/Fiesp) e a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) passam a mensurar a percepção dos agentes do agronegócio em relação a um conjunto de informações que impactam a atividade, como a situação da economia brasileira, do setor, disponibilidade de crédito, expectativa de investimento, preços e produtividade. Para isso, as entidades se valem do Índice de Confiança do Agronegócio (IC AGRO), lançado em fevereiro e que será divulgado trimestralmente, visando compreender os pontos de convergência e divergência entre os elos da cadeia produtiva, medir a disposição de realizar novos investimentos e antecipar mudanças de tendências.
“O IC AGRO, primeiro produto do tipo no Brasil, será uma ferramenta essencial para toda a cadeia produtiva. É um material de referência e sem dúvida será usado para auxiliar a tomada de decisões das indústrias, empresários e cooperativas, frente aos resultados obtidos”, explica o presidente da Fiesp, Paulo Skaf. “Por outro lado, ele também pode ser usado pelo governo como um termômetro já que permite apontar as necessidades de implementação e melhoria de políticas públicas para o setor”.
O presidente do Sistema OCB, Márcio Lopes de Freitas, reforça a opinião de Skaf e chama a atenção para o benefício direto ao produtor cooperado. “Teremos a oportunidade de olhar o agronegócio de maneira integrada, já que as cooperativas são agentes importantes nesse contexto, dentro e fora da porteira. Elas são verdadeiros centros de segurança para os seus cooperados e, com as informações do IC AGRO, poderão rever estratégicas e identificar novos caminhos para potencializar a competitividade dos seus associados”. Metodologia e resultados
Para melhor captar as percepções de todos os elos que envolvem o Agronegócio, a pesquisa de campo – realizada pelo Agro IPES– consultou agentes que atuam antes, dentro e depois da porteira da fazenda.
No primeiro e no último grupo foram realizadas, de novembro de 2013 a janeiro deste ano, cerca de 40 entrevistas com indústrias fornecedoras de insumos e serviços aos agricultores, além de cooperativas e indústrias compradoras de commodities agrícolas e produtoras de alimentos. Já no quadro “dentro da porteira”, foram realizadas 1500 entrevistas, sendo 645 válidas, com produtores agrícolas e pecuários.
Neste levantamento que dá início à série histórica, o IC AGRO registrou 104,5 pontos em uma escala que varia de 0 a 200, sendo 100 o ponto de neutralidade. Ou seja, o primeiro resultado demonstra um otimismo cauteloso por parte dos segmentos entrevistados. A confiança dos produtores, entretanto, ficou um pouco abaixo do índice geral, com 97,5 pontos.
Dos três elos da cadeia, o que mais contribuiu positivamente para a formação do índice geral foi o “antes da porteira”, que fechou o trimestre em 109,8 pontos.
Antonio Carlos Costa, gerente do Deagro, explica que os resultados podem ser melhor compreendidos a partir do momento em que se avaliam as variáveis que mais impactaram o resultado, tanto para cima, quanto para baixo. “O pessimismo em relação à economia brasileira é comum às indústrias e aos produtores, que registraram idênticos 84,9 pontos. Ao mesmo tempo, a confiança no setor puxou o resultado para cima, com 105 pontos na avaliação do produtor e importantes 123,5 pontos na expectativa da indústria”.

Preocupações e investimentos
O IC AGRO também mediu as preocupações do produtor agropecuário. Em um questionário onde puderam escolher mais de uma alternativa, clima, preço de venda do produto e aumento do custo de produção lideram lista, seguidos de perto pela alta incidência de pragas e doenças, falta de trabalhador qualificado, legislação ambiental e trabalhista, além da infraestrutura logística. Questionado sobre a disposição em realizar investimentos adicionais aos que faz normalmente, o produtor agrícola respondeu que os recursos iriam, em sua maior parte, para o controle de pragas, doenças e ervas daninhas, aquisição de máquinas e implementos, armazenagem e formação técnica dos operadores de máquinas e equipamentos.
“É interessante notar que a intenção de investimento do produtor está diretamente direcionada à resolução dos problemas por ele apontados, diz Benedito Ferreira, diretor titular do Deagro. É muito clara a disposição em investir, por exemplo, em máquinas e implementos para mitigar o aumento do custo de produção e a preocupação com os problemas trabalhistas”. Ao mesmo tempo, o incremento na venda de máquinas e a falta de trabalhador qualificado geram a necessidade de fortes investimentos na formação técnica dos operadores de máquinas e implementos, completa Ferreira.